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Estar atento ao cancro do cólon

publicado em 31 Jul. 2022

O cancro do cólon e reto apresentam elevada incidência na população portuguesa. Em Portugal representa o 3º cancro mais frequente e a 2ª causa de morte por neoplasia (1), sendo as regiões Litoral Norte e Centro do país aquelas com maior incidência destes tumores (2).

 

A idade é o fator de risco mais importante para o seu desenvolvimento. Embora possa surgir em qualquer idade, mais de 90% dos casos são diagnosticados em indivíduos com mais de 50 anos (3). Hábitos de vida saudáveis como consumo diário de frutas e verduras, e a prática de exercício físico regular, podem contribuir para diminuir o risco de doença.

 

A maior parte dos cancros esporádicos desenvolvem-se a partir de pólipos (adenomas) e a sua remoção atempada altera a história natural da doença, impedindo a progressão de adenoma para carcinoma. Por esta razão, todas as pessoas sem história familiar ou outros fatores de risco para cancro do cólon ou reto, com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos, devem realizar exames de rastreio.

Em Portugal, o exame de rastreio do cancro do cólon é realizado com recurso à pesquisa de sangue oculto nas fezes de 2 em 2 anos. Nos casos suspeitos é proposta a realização de uma colonoscopia. Esta permite a visualização direta de toda a mucosa, identificar e remover os pólipos ou se identificar uma neoplasia maligna, biopsar a lesão.

Os sintomas mais frequentemente associados ao cancro do cólon são alterações recentes do trânsito intestinal (diarreia ou obstipação), sangue nas fezes, dor abdominal, perda de apetite ou emagrecimento não intencional. No entanto, a ausência de sintomas não significa que esteja tudo bem, nomeadamente nas fases iniciais da doença.

 

Classicamente o tratamento é cirúrgico, podendo ser, em situações particulares, precedido de radio-quimioterapia. Atualmente, particularmente em situações diagnosticadas precocemente, o número de opções terapêuticas permite um tratamento personalizado, novas técnicas como a excisão endolaparoscópica que envolve a remoção de um pequeno disco da parede do intestino em vez de um segmento longo, permite, em casos de pólipos não passíveis de excisão endoscópica, evitar alguns efeitos laterais imediatos da cirurgia convencional e as desvantagens da remoção de longos segmentos do intestino. Para as lesões localizadas no reto é, em casos selecionados, possível a sua remoção por via transanal com preservação do órgão, sem os riscos da cirurgia radical. Nos casos de cirurgia major, o recurso a técnicas mini-invasivas laparoscópicas permite, sem prejuízo da qualidade oncológica, uma melhor recuperação no pós-operatório, com menos dor, mais rápida recuperação funcional, menor tempo de internamento e um melhor resultado cosmético.

 

O diagnóstico precoce é uma forma poderosa de melhorar a sobrevivência por cancro, por esse motivo, neste período conturbado de pandemia/pós-pandémico que atravessamos, é importante acreditar que as instituições hospitalares são locais seguros preparados com todas as regras de segurança.

 

Negligenciar os sinais de alarme condiciona diagnósticos tardios e reduz consideravelmente as possibilidades de cura e sobrevivência.

Referências

1 - World Health Organization International Agency for Research on Cancer (IARC). GLOBOCAN 2018
2 - Roquete et al. Geographical patterns of the incidence and mortality of colorretal cancer in mainland Portugal municipalities (2007-2011). BMC Cancer, 2019; 19:512
3 - American Cancer Society Website Cancer Facts and Figures. 2004. http://www.cancer.org/downloads/STT/ CAFF2004PWSecured

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