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Hiperatividade e défice de atenção no adulto: um novo diagnóstico?

publicado em 22 Dez. 2022

A Perturbação da Hiperatividade e Défice de atenção (PHDA) é uma doença do neurodesenvolvimento com manifestações clínicas na infância e que, contrariando estudos iniciais, persistem na idade adulta.

 

Os sintomas de PHDA no adulto, como a dificuldade de atenção nos detalhes, na organização de tarefas, a falha de compromissos, a irritabilidade e impulsividade, podem ser distintos dos apresentados na infância. Estes sintomas devem estar associados a prejuízo funcional/psicossocial em dois ou mais contextos e assim, sempre que possível, as informações do doente devem ser complementadas com informações de terceiros.

 

Na consulta de avaliação de um adulto é necessária uma cuidadosa colheita da história de vida e sintomas atuais, pois nem tudo é PHDA. Existem causas secundárias para o défice de atenção, como perturbações de ansiedade e depressivas, e existem outras causas para hiperatividade, como a perturbação de controlo de impulsos. Adicionalmente, importa excluir a presença de comorbidades (doenças etiologicamente relacionadas), pois estas existem em até 70% dos casos com a PHDA, sendo as mais comuns no adulto: depressão, ansiedade e abuso de álcool ou outras substâncias.

 

Muitas vezes, para uma maior certeza diagnóstica, pode ser efetuada uma avaliação neuropsicológica complementar, obtendo-se assim uma quantificação das dificuldades do doente.

 

Em relação ao tratamento, quer a PHDA, quer as comorbilidades têm tratamentos seguros e eficazes, mas estima-se que menos de 10% dos adultos receba o tratamento adequado. Especificamente, o tratamento com psicoestimulantes pode ser realizado após ser calculado o risco cardiovascular de cada doente, devendo ocorrer monitorização dos possíveis efeitos laterais e um ajuste da dose destes, de acordo com as necessidades de cada doente, ao longo das consultas. Existem também estratégias comportamentais que podem melhorar a funcionalidade destes doentes, no âmbito de consultas de psicologia e terapia ocupacional.

 

Um diagnóstico e tratamento adequado da PHDA é fundamental, pois esta patologia não tratada associa-se a perda de qualidade de vida dos doentes, designadamente traduz-se em maiores taxas de desemprego, ausências laborais, conflituosidade familiar e menor participação na vida social.

 

Assim, a PHDA não é um diagnóstico “novo” em psiquiatria, mas existe cada vez mais evidência científica a apoiar o seu diagnóstico e tratamento na idade adulta.