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Doença de Refluxo Gastro-Esofágico

publicado em 06 Jun. 2019

O refluxo gastro-esofágico consiste na passagem de conteúdo (ácido ou alcalino) do estômago para o esófago. O conteúdo gástrico é nocivo para a mucosa esofágica, podendo provocar sintomas ou outras complicações, denominando-se Doença de Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE).

Cerca de 20% da população apresenta sintomas de doença de refluxo gastro-esofágico pelo menos uma vez por semana e até 10% apresentam sintomas diariamente. Os sintomas mais frequentes são: azia, regurgitação, disfagia (dificuldade a engolir), mas pode existir também sintomatologia menos típica, nomeadamente, dor torácica, tosse crónica, rouquidão, erosões dentárias e pneumonias recorrentes.

Para além dos sintomas, muitas vezes incapacitantes, o refluxo crónico pode causar lesões na mucosa esofágica, tais como, esofagite (inflamação do esófago), erosões/ úlceras, hemorragia, estenoses e alterações celulares (esófago de Barrett e metaplasia) que, com o decorrer de anos, poderão progredir para cancro do esófago.

Na presença destes sintomas de doença de refluxo gastro-esofágico, muitas vezes desvalorizados pelos doentes, é de extrema importância a avaliação médica, para que se possa iniciar tratamento eficaz e evitar complicações graves da doença. Para além da avaliação clínica, é necessária a realização de endoscopia digestiva alta (EDA), que avalia a presença de esofagite ou outras complicações. Poderá ser necessário ainda realização de outros exames, de acordo com a avaliação pelo médico.

A obesidade, tabagismo, consumo de álcool, café, chocolate e alimentos gordurosos podem contribuir para doença de refluxo gastro-esofágico, pelo que a primeira etapa no tratamento é a correção destes fatores de risco. Deve ser evitado ainda usar roupa apertada na cintura e deitar após as refeições.

O tratamento inicial desta patologia consiste, para além da correção dos fatores de risco, na administração de medicação oral com inibidores da bomba de protões (por ex.: omeprazol) ou antagonistas dos recetores da histamina (por ex.: ranitidina). Estes fármacos neutralizam a acidez esofágica e melhoram os sintomas associados; no entanto, não evitam o refluxo gastro-esofágico nem previnem a eventual progressão para cancro do esófago.

Em doentes selecionados, nomeadamente aqueles que apresentem sintomas atípicos, complicações da doença de refluxo gastro-esofágico (erosões, hemorragia, esófago de Barrett), falência ou impossibilidade na manutenção da medicação crónica, poderá estar indicada a realização de cirurgia anti-refluxo.

A cirurgia anti-refluxo – Fundoplicatura de Nissen – consiste numa cirurgia minimamente invasiva, de acesso laparoscópico, em que é confecionada uma manga gástrica em redor da porção terminal do esófago, evitando assim que ocorra refluxo do conteúdo gástrico para o esófago. A cirurgia, ao contrário da medicação, consegue, com sucesso, tratar o refluxo e apresenta melhor resultado no tratamento das complicações da doença de refluxo gastro-esofágico. Para além dos excelentes resultados, a cirurgia permite ainda uma rápida recuperação e reinício das atividades de vida habituais.

Fonte:
Current Surgical Therapy, 12th Edition (2017), J L Cameron, A M Cameron.

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