Novas opções terapêuticas nas lesões osteocondrais do tornozelo - Trofa Saúde Skip to main content

Novas opções terapêuticas nas lesões osteocondrais do tornozelo

publicado em 18 Nov. 2022

A lesão osteocondral define-se como qualquer defeito que envolva a cartilagem e o osso subcondral. No tornozelo estas lesões ocorrem geralmente na superfície articular do astrágalo e são consequência, na maioria dos casos, de traumatismos.

 

O seu tratamento é tradicionalmente difícil devido à baixa capacidade regenerativa da cartilagem e ainda pelo difícil acesso cirúrgico a esta articulação.

 

O tratamento conservador, que inclui repouso, anti-inflamatório e utilização de ortóteses de imobilização, destina-se a doentes assintomáticos ou com sintomas ligeiros, desde que as lesões sejam pequenas e estáveis.

 

Atualmente estão disponíveis tratamentos biológicos que consistem na infiltração articular de concentrados celulares com capacidade regenerativa ou de recrutamento de células reparadoras. A infiltração articular de Plasma Rico em Plaquetas tem demonstrado resultados consistentes no alívio sintomático, permanecendo, no entanto, por esclarecer o seu potencial clínico a longo prazo.

 

O tratamento cirúrgico encontra-se destinado aos casos sintomáticos, a lesões de maior dimensão ou quando existem fragmentos livres ou instáveis.

 

Durante anos, o tratamento de primeira linha consistiu na realização de microfraturas controladas no leito da lesão osteocondral. Com a evolução verificada na artroscopia e os avanços na bioengenharia, foram desenvolvidas novas técnicas, cada vez menos invasivas e com garantia de melhor qualidade do tecido de reparação da lesão.

A técnica “lift, drill, fill, fix”, realizada por artroscopia, procura alcançar a preservação do fragmento osteocondral original. Caso o fragmento não se encontre completamente destacado, este pode ser levantado, o leito da lesão estimulado
com microfraturas e preenchido com enxerto ósseo e, por último, fixado. Os resultados iniciais com este tipo de técnica são excelentes.

Considerando os tratamentos biológicos disponíveis, temos a possibilidade de preencher a lesão, após realização de microfraturas, com uma matriz em forma de gel ou membrana com capacidade de atrair e fixar as células reparadoras da lesão. Uma evolução em relação a esta técnica consiste no transplante de células derivadas de medula óssea ou de pequenos fragmentos de cartilagem nativa numa matriz que vai potenciar a estabilização das células reparadoras e conferir condições otimizadas à reparação da cartilagem. Este grupo de técnicas apresenta resultados promissores do ponto de vista clínico, funcional e da qualidade do tecido regenerado.

 

Por último, para dar resposta a lesões de dimensões extremas, ou no caso de falência com os tratamentos previamente descritos, podemos recorrer a uma técnica de resgate com preservação articular na qual se utiliza um implante metálico personalizado para preencher a lesão.