O que trata a Hematologia Clínica? - Trofa Saúde Skip to main content

O que trata a Hematologia Clínica?

publicado em 12 Set. 2022

“Uma boa parte das doenças tratadas pela Hematologia são malignas, ou seja, constituem um tipo de cancro. Neste artigo pretendo falar um pouco sobre uma forma de cancro do sangue pouco conhecida, mas que afeta cada vez mais portugueses: o mieloma múltiplo.”

A Hematologia Clínica é uma das especialidades médicas menos reconhecidas pela população geral. Felizmente, as doenças graves que trata são relativamente infrequentes, apesar de todos já terem ouvido falar em “leucemia” e “linfoma” de uma forma ou de outra.

 

Como especialidade médica dedica-se ao diagnóstico e tratamento de doenças que têm origem no sistema hematopoiético, constituído por todos os componentes do sangue (células sanguíneas e plasma) e pela medula óssea existente no interior do esqueleto, local onde se produzem as células sanguíneas.

 

Uma boa parte das doenças tratadas pela Hematologia são malignas, ou seja, constituem um tipo de cancro. Neste artigo pretendo falar um pouco sobre uma forma de cancro do sangue pouco conhecida, mas que afeta cada vez mais portugueses: o mieloma múltiplo.

 

O mieloma múltiplo resulta da divisão descontrolada de um tipo específico de glóbulos brancos, os plasmócitos. Estes são responsáveis pela produção dos famosos anticorpos, proteínas do sistema imunológico que reconhecem e atacam ameaças ao organismo. A acumulação destas células na medula óssea leva à destruição do osso, facilitando a ocorrência de fraturas. Interfere ainda na produção de células sanguíneas normais, promovendo cansaço e palidez por anemia, bem como infeções potencialmente graves.

 

Os plasmócitos malignos produzem anticorpos disfuncionais em grandes quantidades, danificando os rins e podendo conduzir à hemodiálise. O sintoma mais comum é a dor óssea intensa e persistente, geralmente na coluna vertebral e costelas. Assim, é importante reconhecer rapidamente esta doença para impedir danos irreversíveis.

 

Inicialmente, o tratamento do mieloma múltiplo era baseado em quimioterapia, mas nos dias que correm temos disponíveis vários medicamentos sem os efeitos indesejáveis que esta pode provocar. Podem ser administrados sob a forma de comprimido, picada subcutânea na barriga ou punção venosa. São mais eficazes quando combinados entre si, estando recomendadas combinações mínimas de 3 medicamentos.

 

Infelizmente, à data em que escrevo este artigo, o Mieloma Múltiplo ainda não tem cura. O objetivo do tratamento é destruir as células malignas de forma a manter a doença num estado de “hibernação” e, consequentemente, parar o processo destrutivo que causa os sintomas. Quanto mais tempo passar entre o tratamento e o reaparecimento da doença, maior será a sobrevivência e qualidade de vida dos doentes. Não obstante, a maioria dos casos vai necessitar de vários tratamentos ao longo da vida.

 

Felizmente, à luz da evolução científica, os doentes vivem cada vez mais tempo sem as consequências clínicas que o Mieloma Múltiplo poderia causar sem tratamento. Assim, tem vindo a transformar-se numa doença crónica que carece de vigilância ativa e tratamentos periódicos.

Autores