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Smartphone: o nosso melhor amigo ou pior inimigo?
publicado em 10 Dez. 2021

Os smartphones colocaram o Mundo ao nosso alcance. Nunca foi tão fácil conectar-se com a família e amigos, ver as redes sociais, consultar as receitas de cozinha favoritas ou jogar online. Embora tenham facilitado muito as nossas vidas, começam agora a serem identificados os seus efeitos nefastos em várias áreas da Medicina, de que são exemplo os distúrbios do sono e a dependência. No campo da Ortopedia, são cada vez mais frequentes as queixas nas mãos decorrentes da utilização repetitiva e pouco ergonómica desses dispositivos.

 

As patologias da mão cuja incidência aumentou com a utilização dos smartphones são a síndrome do canal cárpico e o polegar em mola. Existem várias formas de as prevenir, sendo que claramente a medida mais eficaz passa pela redução do tempo de utilização, que é o fator de risco mais importante. Para além disso, está demonstrado que os ecrãs maiores, apesar de mais pesados, causam menos sobrecarga nos tendões da mão ao exigirem menor amplitude de movimentos.

 

Outras formas de minimizar o risco de sobrecarga das mãos pode passar por:

– Utilizar texto de voz
– Colocar o ecrã em posição horizontal
– Escrever mensagens de texto com o telemóvel apoiado numa superfície estável
– Realizar exercícios de alongamento durante as utilizações mais prolongadas
– Privilegiar o indicador para digitar

 

Naturalmente que, apesar de todos esses cuidados, é possível que essas patologias possam na mesma surgir, até porque existem outros fatores individuais e doenças que podem favorecer o seu aparecimento. Nessas circunstâncias, fará sentido ser avaliado clinicamente e ser ponderada a realização de exames complementares de diagnóstico para confirmação diagnóstica e estratificação do tratamento. Quando a sintomatologia é frustre e a doença se encontra numa fase inicial, pode ser tentado o tratamento conservador. Este passa por medicação sintomática, uso de talas ou ortóteses, infiltrações e tratamento fisiátrico. Quando o tratamento conservador não resulta ou quando estamos perante uma doença avançada, está indicado o tratamento cirúrgico. Esses procedimentos são feitos em regime de ambulatório, através de mini-incisões e geralmente com anestesia local, resolvendo em definitivo o problema, de forma simples e indolor.

 

Embora o uso de smartphones possa ser conveniente e para muitos de nós indispensável, é importante reconhecer o seu efeito disfuncional. Daí que à medida que o desejo e a necessidade por tecnologia aumentam e esses dispositivos consomem as nossas vidas devemos educar-nos quanto às melhores práticas e posturas que limitarão os danos de curto e longo prazo no nosso corpo.