Como se faz o diagnóstico do cancro do cólon e reto? - Trofa Saúde Boa Nova Skip to main content

Como se faz o diagnóstico do cancro do cólon e reto?

publicado em 01 Out. 2021

O cancro do cólon e reto (CCR) é aquele com maior número de novos diagnósticos por ano em Portugal e o responsável pelo segundo maior número de mortes por cancro (cerca de 10 500 novos casos e 4300 mortes em 2020). Surge devido à proliferação desorganizada de células da mucosa (revestimento) do cólon (intestino grosso) ou do reto e a sua sobrevida está sobretudo relacionada com o estádio em que é detetado.

 

A maioria dos CCR desenvolve-se a partir de lesões precursoras (pré-malignas), os pólipos do intestino. Os pólipos pré-malignos mais comuns são os “pólipos adenomatosos” ou “adenomas”, que podem ao longo de vários anos e sem causar sintomas progredir para CCR.

 

O rastreio do cancro colorretal tem dois objetivos:

 

  • A deteção e remoção de pólipos pré-malignos, assim impedindo o aparecimento de cancro.
  • O diagnóstico de CCR em fase assintomática e mais precoce, permitindo o seu tratamento com maior probabilidade de cura.

 

Os dois métodos de rastreio mais utilizados são a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) ou a colonoscopia total; ambos permitem a redução da mortalidade por CCR, sendo que a escolha entre eles deve ter em conta o risco de CCR e preferência do indivíduo a rastrear.

 

A PSOF procura quantidades microscópicas de sangue nas fezes e tem boas taxas de deteção de CCR; um teste positivo implica a posterior realização de colonoscopia. A PSOF como método inicial tem a vantagem de ser prática e pouco invasiva, permitindo maior taxa de adesão ao rastreio; no entanto, apresenta resultados inferiores na deteção de pólipos, pois estes habitualmente não sangram.

 

A colonoscopia permite a inspeção direta de toda a mucosa colorretal e é o exame com maior taxa de deteção de lesões, tanto pólipos como CCR. Tem ainda a vantagem de permitir no mesmo momento a remoção de adenomas e/ou a colheita de biópsias, sendo por isso um exame simultaneamente diagnóstico e terapêutico. Implica a realização de limpeza cólica através da ingestão de produto de preparação intestinal, da qual muito vai depender a eficácia e acuidade diagnóstica do exame. É habitualmente realizada sob sedação anestésica, não sendo neste caso expectável que cause dor ou desconforto.

 

Independentemente do método utilizado, o início do rastreio na população geral está recomendado a partir dos 50 anos (ou 45 anos, segundo algumas sociedades americanas); o início e regularidade poderá ser ajustado em indivíduos de alto risco, como aqueles com história familiar de CCR ou com doença inflamatória do intestino.

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