Skip to main content

O mundo dos sentidos: a integração sensorial e a criança

publicado em 28 Out. 2022

A Teoria da Integração Sensorial foi originalmente desenvolvida pela Dra. A. Jean Ayres, terapeuta ocupacional com formação adicional em psicologia e neurociência. A Dra. Ayres definiu a integração sensorial como “o processo neurológico que organiza a sensação do próprio corpo e do ambiente e torna possível o uso eficaz do corpo dentro do ambiente”.

 

No campo da Terapia ocupacional, permitiu desenvolver estratégias de intervenção para abordar os problemas sensoriais
que afetam o desempenho funcional, tendo em conta que os terapeutas ocupacionais intervêm com pessoas que enfrentam dificuldades para se envolver nas suas ocupações, ou seja, em executar as atividades e tarefas necessárias para a nossa vida.

 

O termo “integração sensorial” pode ter múltiplos significados, mas “integração” pode ser definida como a teoria ou como processamento responsável pelas perceções multissensoriais no sistema nervoso central. Podemos considerar que temos oito sentidos: visão, audição, tato, olfato, paladar (os 5 mais conhecidos), e também o vestibular (sensação do movimento da cabeça no espaço), propriocepção (sensações dos músculos e articulações) e interoceção (sensações dos órgãos internos).

 

Existem situações em que as crianças têm dificuldade em processar ou tolerar um ou mais tipos de estímulos sensoriais. Se a informação sensorial não for processada corretamente, podemos prestar demasiada atenção a informações sensoriais desnecessárias, ou então não prestar atenção suficiente informações sensoriais necessárias para realizar uma atividade.

As crianças com estas alterações não conseguem organizar e integrar adequadamente as informações sensoriais, o que dificulta a geração de respostas adequadas ao seu ambiente.

Existem alguns sinais que podemos estar atentos e que nos podem ajudar a identificar possível disfunção de integração sensorial:

  • ser demasiado sensível ou ter reações estranhas a determinados tipos de estímulos: recusa ou aversão ao toque, medo fora do comum ao movimento ou alturas, sensibilidade a luz, sons;
  • tendência a procurar determinados tipos de experiências sensoriais de forma excessiva ou não notar um estímulo que outras pessoas notam;
  • dificuldade em aprender e planear experiências motoras como evitar participar em deportos, ser descoordenado etc.;
  • dificuldade em tarefas em que se utiliza as duas partes do corpo, não mostrar uma preferência manual definida;
  • cair com frequência, sentar-se torto, parecer ter músculos “moles”;
  • ter dificuldade em fixar o olhar em objetos em movimentos, ou a copiar do quadro ou do livro para o caderno;
  • dificuldades na motricidade fina manual;
  • pouca consciência corporal.

 

Na presença destes sinais, deve procurar a avaliação por um terapeuta ocupacional com especialização em Integração Sensorial. A intervenção em Integração Sensorial acontece com um profissional especializado, numa sala própria para o efeito.