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Destaques do Trofa Saúde

23 março 2018

A cirurgia para evitar o AVC

A cada hora, ocorrem seis Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) - vulgo “trombose cerebral” - dos quais, metade corre risco de vida e, os restantes, grave incapacidade física e intelectual. Regra geral, de uma forma súbita, em homens e mulheres com alguma predisposição genética mas, sobretudo, com estilos de vida pouco saudáveis e fatores de risco cardiovascular: hipertensão arterial, diabetes mellitus, tabagismo, obesidade, colesterol e ácido úrico elevados, stress, sedentarismo, etc., para citar apenas os mais conhecidos. Além dos doentes, os AVC atingem também as famílias, amigos e sociedade em geral, ou seja, todos nós! Quem cuida destes doentes entende, melhor do que ninguém, a real dimensão e sofrimento desta catástrofe.

Tradicionalmente, pouco ou nada havia a fazer. Era um “azar” ter acontecido, restando confiar na “boa sorte”. Graças à evolução da medicina, hoje, o AVC é uma doença tratável e, acima de tudo, um drama que podemos evitar! A melhor estratégia passa sempre por promover estilos de vida mais ativos e saudáveis, e uma vigilância médica mais apertada na deteção e controlo dos fatores de risco cardiovascular. Mas não basta! Além disso, é essencial realizar rastreios e exames médicos para diagnosticar doenças no coração e nas artérias carótidas, designadamente as que causam trombos e trombo-embolias cerebrais, i.e. Acidentes Isquémicos Transitórios (AIT) e AVC.

A aterosclerose é uma doença grave, responsável pela formação de placas de ateroma nas artérias, isto é a acumulação de gordura com subsequente reação inflamatória, risco de obstrução e oclusão do fluxo sanguíneo. Com efeito, durante o processo aterosclerótico ocorrem hemorragias, formação de trombos, acumulação de material pultáceo, ulcerações, e outros fenómenos que lesam a integridade da parede arterial, na sua morfologia, comportamento hemodinâmico e reológico. No caso de degradação, os ateromas libertam detritos e outros materiais trombóticos, cuja embolização (tromboembolismo) causa “tromboses” e “enfartes” no cérebro (AIT/AVC).

As placas de ateroma nas artérias carótidas são uma fonte de acidentes trombo-embólicos, cujo sintoma mais característico é a “amaurose fugaz”, isto é, uma cegueira transitória, parcial ou completa, num dos olhos, por trombo-embolismo na artéria da retina. Simultaneamente, coexistem alterações na morfologia das artérias (tortuosidades), cuja rotação e torção dão lugar ao estrangulamento do fluxo sanguíneo. Isoladas ou associadas, estas lesões causam insuficiência cerebrovascular: tonturas, desequilíbrios, zumbidos, cefaleias, desmaios, perda de memória, confusão mental, etc. ou, no caso de AVC, défices motores, sensoriais e múltiplas incapacidades, cuja gravidade depende da região e extensão da lesão cerebral. Além do risco de morte, os AIT/AVC perturbam gravemente a nossa qualidade de vida.

O diagnóstico da doença nas carótidas é hoje mais simples e fiável, através de exames não-invasivos (EcoDoppler, angio-TAC, etc), e de fácil acesso. Estes exames avaliam a localização, extensão e riscos trombo-embólicos das placas de ateroma, a fim de se planear o seu tratamento, a tempo de evitar os AVC. A excisão cirúrgica dos ateromas (“endarterectomia”), e a correção de tortuosidades (“kinkings”) são recomendadas à luz dos melhores estudos científicos, mas exigem muita ponderação e uma sólida experiência, quer do cirurgião vascular quer do anestesista. As cirurgias são, hoje, susceptíveis de execução com o doente acordado (anestesia loco-regional), excelente monitorização neurológica e muito baixo risco operatório. Além da prevenção dos AVC, simultaneamente, visam restaurar a morfologia e fluxo sanguíneo adequado nos eixos carotídeos extracraneanos, para garantir e preservar a suficiência cerebrovascular.

O melhor alerta sobre os AVC é que os podemos prevenir e até evitar! A cirurgia às artérias carótidas é disso um excelente exemplo, quando há riscos trombo-embólicos. Neste contexto, se baseia a atual prática clínica e respetivos procedimentos assistenciais, já que a inércia ou medo em atuar só contribuem para agravar, ainda mais, este flagelo.

A equipa de Cirurgia Vascular do Trofa Saúde Hospital, designadamente em Braga Centro, é altamente diferenciada na cirurgia às carótidas - tromboendarterectomia e correção de tortuosidades (“kinkings”) - para prevenção dos AVC e melhoria da circulação cerebral em doentes com sintomas de insuficiência cerebrovascular. Em todos os casos operados, foi reconhecida uma franca melhoria na sua qualidade de vida.


Redigido por Dr. João Franklin (OM19513) Coordenador do Serviço de Cirurgia Vascular no Trofa Saúde Hospital em Braga Centro

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