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04 março 2021

A obesidade em tempos de pandemia!

 



O mundo parou devido à pandemia COVID-19. Os governos de todo o mundo optaram pela salvação de vidas e pela luta contra a COVID-19 em detrimento do desenvolvimento económico. Criaram-se confinamentos, remodelaram-se equipas de saúde, reequiparam-se hospitais… mas todos os outros problemas de saúde se tornaram secundários...

A obesidade, até então descrita como a pandemia do século XXI, aflige mais de 900 milhões de pessoas em todo o mundo e estima-se que seja responsável por 2,8 milhões de mortos/ano. Porém, a obesidade continua a ser negada pela sociedade, surgindo associada a defeitos de caráter e conotada até com alguns dos “pecados mortais”, como a gula ou a preguiça.

É um dos mais significativos fatores de risco para desenvolver COVID-19 grave, para internamento em cuidados intensivos ou para morte. Surge também associada ao desenvolvimento da Diabetes mellitus, hipertensão arterial, apneia do sono, enfartes do miocárdio, AVC, diversos tipos de cancro ou patologias degenerativas do esqueleto. É um dos principais motivos para diminuição do número de anos de vida saudável, em até 10 anos.

Frequentemente ignora-se que existe tratamento eficaz. Em casos de obesidade severa, o único tratamento eficaz e duradouro é a cirurgia metabólica/bariátrica, que numa perspetiva multidisciplinar proporciona aos doentes uma diminuição significativa e sustentada do peso, permitindo, também, a reversão das doenças associadas, a devolução da qualidade de vida e a recuperação de anos de vida saudável.

A dificuldade em valorizar os riscos da cirurgia constitui um dos entraves à sua utilização e dificulta a aceitação de um (pequeno) risco imediato de forma a prevenir (grandes) riscos futuros. É um dos procedimentos cirúrgicos mais seguros, tendo um perfil de segurança melhor do que uma “simples” cirurgia ao apêndice ou à vesícula biliar. Por outro lado, este pequeno risco é compensado pela melhoria significativa de fatores de risco futuros, diminuindo o risco de morte em até 96%. A taxa de complicações relevantes da cirurgia ronda os 2-3%, sendo que a sua segurança é superior a 99.9%.

O custo da cirurgia é referido como uma das dificuldades no acesso, mas estudos comprovam que a cirurgia bariátrica é o método mais económico de perder peso, quando considerado o total de €/kg perdido. A cirurgia tem de ser entendida como um investimento em recuperar saúde, qualidade de vida e número de anos vividos com saúde.

Considera-se que, atualmente, apenas 1% dos potenciais candidatos tem acesso à cirurgia. Existem barreiras à aceitação e utilização da cirurgia como tratamento da obesidade e das doenças metabólicas, que maioritariamente são baseadas em mitos e estigmas sociais associados à obesidade e ao seu tratamento, e não a factos.

Hoje, que se comemora o Dia Mundial da Obesidade, está na hora de lutar contra a obesidade, que será individualmente a doença mais letal do século XXI.

Prof. Doutor Gil Faria (OM42807), Médico especialista em Cirurgia Geral no Trofa Saúde Hospital Central e Hospital da Trofa

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