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Ataques de pânico – como combater?
publicado em 18 Jun. 2022

Experienciar um ataque de pânico pode ser um momento aterrador, já que os sintomas podem ser bastante agressivos, incluindo até uma perda de controlo quase absoluta sobre o que está a acontecer.

No entanto, é uma perturbação bem estudada, com sintomas também bem identificados, onde realçamos (entre outros) as palpitações, as sensações de falta de ar ou sufoco, de desmaio, o medo de morrer ou de perder o controlo.

Face a estas manifestações, é, em muitos casos, comum que o indivíduo se sinta completamente assoberbado com o episódio que vivenciou e que com isso comece a desenvolver estratégias muitas vezes desadaptativas que lhe permitam mitigar tal desconforto sentido.

Como tal, tende a promover em si mesmo uma mudança de hábitos e rotinas que se revelam contraproducentes. Pode, por exemplo, começar a evitar locais onde os episódios já tenham acontecido, mas também outros espaços onde percecione potencial perigo, pois, vendo-se exposto socialmente, projeta sobre si o que “irão pensar aquelas pessoas” se o episódio surgir. Pode, também, começar a adotar comportamentos como o consumo de substâncias, como manobra de mitigação desse desconforto, com potenciais danos em inúmeras áreas da sua vida.

Torna-se importante que estes comportamentos sejam evitados, uma vez que não estarão a ajudar na diminuição dos episódios, mas sim no seu aparecimento em locais cada vez mais familiares e em situações cada vez mais frequentes.

Estes episódios surgem, muitas vezes, por vários motivos, em alguns casos difíceis de identificar. O stress em excesso, motivado pelo trabalho ou por questões familiares, pode ser causa para o seu aparecimento, mas também o abuso de substâncias ou recordações traumáticas do passado requerem uma atenção especial na avaliação deste tipo de perturbações. A par, uma avaliação clínica pode também ser relevante, tentando identificar uma comorbidade com certas doenças ou perturbações mentais já existentes.

A intervenção neste tipo de perturbações normalmente inicia-se por uma consulta de avaliação, onde se verificam os sintomas e as possíveis causas, propondo um plano de intervenção que pode ser necessário englobar outros profissionais, como o caso da psiquiatria ou de outro especialista no caso da existência de outra(s) doença(s). Na Terapia Psicológica, a abordagem normalmente centra-se na intervenção cognitivo-comportamental, com foco numa primeira fase na capacitação do cliente com exercícios e técnicas que lhe permitam um atuar no momento no episódio, complementando sempre com um apoio psicológico estruturado.

O pânico é uma situação altamente debilitante, mas que a investigação tem revelado soluções muito eficazes. Não permita que o sofrimento potenciado por esta perturbação condicione a sua vida, procurando ajuda profissional.