Após o Natal e a Passagem de Ano, observa-se um aumento significativo de episódios de cólica biliar, colecistite, colangite e pancreatite. Este fenómeno deve-se sobretudo a três comportamentos típicos desta época:
- Excesso de alimentos ricos em gorduras e refeições muito volumosas estimulam uma contração intensa da vesícula biliar. Quando há “pedra” na vesícula essa contração faz aumentar a pressão dentro desta e do canal cístico e pode ocorrer obstrução temporária ou permanente;
- Consumo de álcool – contribui para uma inflamação pancreática e espasmo do esfíncter de Oddi;
- Menor consumo de água/desidratação – bílis mais concentrada favorece a impactação das “pedras”.
Em pessoas com “pedras na vesícula” (que frequentemente não causam sintomas), estes fatores podem provocar a obstrução do canal cístico, originando a cólica biliar, caracterizada por dor abdominal (localizada ao lado direito), náuseas e vómitos. Embora a cólica simples tenha mortalidade muito baixa, pode evoluir para complicações graves se não for investigada.
Se a obstrução persistir, pode surgir colecistite aguda, inflamação da vesícula associada a risco de complicações e mortalidade aumentada, sobretudo em doentes idosos ou com doenças como a diabetes.
Quando há infeção das vias biliares, ocorre colangite, potencialmente grave, com mortalidade que pode ultrapassar os 10% se não tratada atempadamente.
A pancreatite aguda, muitas vezes relacionada com a migração de cálculos ou excesso de álcool, pode ser grave, com mortalidade variável até 50%.
Mesmo que os sintomas desapareçam, é fundamental agendar uma consulta médica após as festas para avaliação e prevenção de complicações, sendo a cirurgia laparoscópica da vesícula um procedimento comum e seguro quando indicado.