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A dor da perda: importância do apoio psicológico no luto

publicado em 18 Abr. 2021

Perder alguém despoleta uma sensação de enorme dor. Questionamos “porquê?”. Não estamos habituados a pensar na morte, fazemo-lo apenas quando confrontados com algo extremamente preocupante ou quando perdemos alguém.

 

O luto é uma resposta natural e humana à perda, normalmente acompanhada de sentimentos de tristeza profunda, podendo incluir negação, raiva ou culpa.

 

Cada luto é individual e único, exigindo uma adequação da comunicação às características e necessidades relacionais de cada um. É um momento de retiro pessoal e é necessário tempo para enfrentar essa situação.

 

Segundo Elisabeth Kübler-Ross, o processo de luto pode ocorrer em cinco fases:

 

1ª Negação: é difícil entender e aceitar a perda. Tendemos a racionalizar a situação e a minimizar o impacto nas nossas vidas, negando.
2ª Raiva: dirigimos a raiva aos que nos rodeiam. Podemos sentir raiva de nós próprios, por não termos feito as coisas de forma diferente, acabando por cair na autoculpabilização.
3ª Negociação: compreendemos que a raiva não muda o que aconteceu. Começamos a sentir maior tranquilidade e a retomar a rotina. Começamos a dar mais valor à vida, procurando o equilíbrio.
4ª Depressão: fase mais crítica e delicada, na qual a pessoa começa a entender o que aconteceu e tem perceção de que nada será como dantes. São comuns as lembranças associadas à pessoa, conduzindo a momentos de choro intenso, isolamento e reflexão.
5ª Aceitação: fase de maior tranquilidade. Assiste-se à diminuição/ausência de sintomatologia depressiva e surge a possibilidade de voltar a sentir emoções positivas e predisposição para a mudança.

 

Qualquer uma destas fases pode ser cíclica, pode não ocorrer exatamente nesta ordem, e sujeita a avanços e recuos.

 

O luto afeta a pessoa nas suas dimensões: emocional, somática, cognitiva, comportamental e espiritual. É natural: tristeza, saudade, medo, zanga e culpa, mas quando persistem por mais de 6 meses e comprometem a vida social e ocupacional, passamos a fazer referência à Perturbação de Luto Prolongado.

 

Os psicólogos desempenham papel fundamental ao ajudar a compreender o processo da morte e da separação. Expressará a sua dor e transformará a angústia em palavras, obtendo alívio e conforto. As situações mal resolvidas poderão ser trabalhadas e discutidas, para que repense esses contextos e crie novos sentidos e significados.

 

Algumas sugestões que podem contribuir para superar a perda:

 

  • Aceite os seus sentimentos e saiba que o luto é um processo;
  • Evite isolar-se;
  • Respeite o seu tempo e as suas emoções;
  • Procure realizar tarefas que lhe despertem interesse;
  • Valorize o autocuidado;
  • Pratique exercício físico com regularidade, alimente-se e procure ter uma boa higiene de sono.

 

O psicólogo tem papel preponderante na promoção do desenvolvimento de competências de autorregulação, resiliência e adaptação à mudança, potenciando recursos para a procura de uma maior sensação de bem-estar e equilíbrio.

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