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Vamos “acordar para o sono”?

publicado em 10 Jan. 2026

O sono representa uma parte essencial da nossa vida. Apesar de ser um momento caracterizado pelo descanso, o nosso organismo não está totalmente “quieto” enquanto dormimos. Na verdade, algumas das suas funções estão, particularmente, ativas durante o sono como: a limpeza de toxinas cerebrais, a regeneração celular, o reforço do sistema imunitário e o armazenamento das nossas memórias.

 

 

Quando dormimos pouco, é comum um aumento da irritabilidade, impulsividade e ansiedade bem como, menos capacidade de concentração e produtividade. Também o aumento de peso pode advir de um mau sono. Um sono insuficiente altera os níveis das hormonas que regulam a saciedade, promovendo a tendência para comer de forma desregrada e para escolher alimentos mais calóricos.

 

 

A longo prazo, dormir menos do que as 7-9 horas recomendadas para o adulto, aumenta o risco de hipertensão, diabetes, doença cardiovascular e cerebral.

 

 

Ainda assim, um sono em quantidade não basta, pois é possível dormir todas as horas recomendadas e acordar até mais cansado do que se deitou. Existem várias causas para um sono de má qualidade, nomeadamente, o incumprimento das medidas de higiene do sono, a dor crónica, o uso inadequado de medicação, a insónia e a apneia do sono.

Como está o sono em Portugal?

Em 2019, um questionário realizado pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), com adultos com ≥25 anos, concluiu que:

  • 46% dos inquiridos dormia 6 horas ou menos por noite;
  • 32% considerava o sono razoavelmente mau, ou mau.

 

 

Num outro inquérito, divulgado em 2023 pela SPP, os resultados não foram mais animadores:

  • 5% das pessoas dormia menos de 7 horas por noite e 19% dormia menos de 6 horas;
  • 52% dizia que raramente, ou apenas às vezes, dorme bem;
  • 22% demorava mais de 30 minutos a adormecer;
  • 44% já tinha tomado medicação para dormir e 12,5% referia uso diário dessa medicação.

 

 

É fundamental olharmos para estes números para mudarmos o cenário do sono e, consequentemente, a qualidade de vida da nossa sociedade.

8 medidas simples e eficazes para melhorar o seu sono:

  • Cumprir horários regulares de deitar e levantar (evitar dormitar no sofá antes de ir para a cama);
  • Exposição à luz de manhã (20 min);
  • Evitar café e outras bebidas energéticas após o início da tarde;
  • Moderar o consumo de álcool (pode facilitar o adormecer, mas piora a qualidade e fragmenta o sono);
  • Manter o quarto fresco, escuro e silencioso;
  • Evitar exposição a ecrãs pelo menos 2 horas antes de dormir;
  • Evitar usar o quarto para atividades relacionadas com o trabalho.

“Check-up” do sono - 6 sinais de alerta:

É recomendável procurar uma avaliação em consulta de medicina do sono se:

  • ressona alto e tem pausas na respiração referidas pelo seu companheiro(a);
  • acorda frequentemente, sem motivo, a meio da noite;
  • demora mais de 30 min a adormecer na maioria das noites;
  • acorda cansado apesar de dormir as horas recomendáveis;
  • tem sonolência durante o dia (adormece em reuniões, a ver TV, a conduzir) ou dores de cabeça ao acordar;
  • necessita de medicação para dormir de forma regular há semanas/meses.

Em resumo, o sono é um pilar fundamental para a saúde, à semelhança de uma alimentação saudável e da prática de exercício físico.

 

 

Porque cuidarmos do sono é cuidarmos de nós, está na altura de acordarmos para o sono para vivermos mais e melhor !

Entrevista in revista GIRA, 5 de janeiro de 2026