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Fissura Anal

publicado em 21 Jan. 2026

O que é?

É uma laceração do ânus, mais frequente entre os 20 e os 30 anos.

Causas

É causada frequentemente por diarreia prolongada, obstipação (fezes duras) ou cirurgia anal prévia.

 

É perpetuada por um ciclo vicioso de: dor –> aumento da pressão anal –> diminuição da perfusão sanguínea anal –> medo de defecar –> obstipação –> fissura –> dor.

Sintomas

Provoca queixas como dor anal persistente (lacerante, aperto ou queimadura) provocada pela defecação e hemorragia (sangue vivo vestigial no papel higiénico).

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado através da história clínica e do exame médico e pode ser classificada em aguda (<8 semanas) ou crónica (>8 semanas ou >6 semanas após tratamento). Exames complementares como colonoscopia, ecoendoscopia ou manometria ano-retal podem ser realizados quando há suspeita de outro diagnóstico (doença hemorroidária, úlcera retal solitária, doenças infeciosas, doença inflamatória intestinal ou neoplasia) ou para planear tratamento cirúrgico.

Tratamento

O tratamento da fissura anal aguda é médico e consiste em medidas higieno-dietéticas como banhos de assento com água morna, dieta rica em fibras e pobre em alimentos obstipantes, ou laxantes se necessidade. Se a situação persistir, recorre-se a pomadas com nitroglicerina ou diltiazem que relaxam o músculo anal (esfíncter), reduzem a sua pressão (tónus) e permitem a cicatrização da fissura. Pomadas com anestésicos ou corticóides proporcionam o alívio sintomático da fissura, mas não resolvem a sua causa.

 

O tratamento da fissura anal crónica pode ser médico com injeção de toxina botulínica (para relaxamento do esfíncter anal) ou cirúrgico.

 

Se for identificado um tónus aumentado do esfíncter anal, a cirurgia consiste num pequeno corte neste músculo para que fique mais laxo. Se o tónus for normal, a cirurgia consiste em remover a fissura.

Prevenção

Recomenda-se uma dieta rica em fibras, hidratação oral abundante e exercício físico frequente, de forma a promover um trânsito intestinal regular. Deve evitar conter prolongadamente a vontade de defecar, assim como realizar um esforço defecatório exagerado. Aconselha-se a higiene com banhos de assento ou toalhetes húmidos.

Bibliografia

Charles J. Yeo JBM, David W. McFadden, John H. Pemberton, Jeffrey H. Peters. Fissure-in-ano. Shackelford’s Surgery of the alimentary tract. 7th edition ed. Philadelphia, USA: Elsevier Saunders; 2014. p. 1907-13.

 

Stewart DB, Sr., Gaertner W, Glasgow S, Migaly J, Feingold D, Steele SR. Clinical Practice Guideline for the Management of Anal Fissures. Diseases of the colon and rectum. 2017;60(1):7-14.

 

John L. Cameron AMC. The management of anal fissures. Current Surgical Therapy. Phipadelphia: Elsevier Saunders; 2017. p. 277-82.