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A complexidade do cérebro e as doenças que mais o afetam
publicado em 22 Jul. 2022

O cérebro humano é a última e mais grandiosa fronteira biológica, a estrutura mais complexa conhecida até hoje no Universo. É composto por centenas de biliões de células interligadas através de triliões de ligações, formando uma complexa rede responsável por tudo aquilo que nos caracteriza enquanto humanos. Controla todas as funções do organismo e é graças a ele que conseguimos comunicar, sentir emoções, pensar, guardar memórias, fazer planos e resolver problemas. É ele a base das grandes descobertas científicas, a fonte de nossa criatividade e das mais belas obras de arte.

 

Há muitas décadas que neurocientistas de todo o mundo se dedicam a desvendar os mistérios do cérebro e muito tem vindo a ser revelado ao longo dos últimos anos no que diz respeito ao funcionamento deste intrigante e fascinante órgão.

Sendo o cérebro humano uma “máquina” tão finamente calibrada e complexa, qualquer “avaria” ou mal funcionamento pode ser bastante incapacitante e ter um efeito devastador.

As doenças neurológicas são cada vez mais prevalentes em Portugal, implicando um impacto económico e social cada vez maior. O acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de morte e invalidez em Portugal.

Estima-se que, por hora, três portugueses sofram um AVC, um dos quais fatal. A prevalência de demências – como a doença de Alzheimer ou as demências vasculares – tem tido um crescimento exponencial, estimando-se que em 2050 cerca de 115 milhões de pessoas irão sofrer de doença de Alzheimer. A doença de Parkinson, a patologia neurodegenerativa mais prevalente a seguir à de Alzheimer, afeta quase 20 mil portugueses, prevendo-se que venha também a aumentar com o envelhecimento da população. As cefaleias são, também, muito prevalentes entre a população portuguesa, estimando-se que cerca de 88,6% dos portugueses sofram de cefaleia ao longo da vida e que 12,4% sofram de cefaleia de grande intensidade e com repercussão nas suas atividades de vida diárias. Estima-se que em Portugal existam cerca de 50 000 doentes com Epilepsia e aproximadamente 5000 com Esclerose Múltipla. Existem, ainda, outras patologias neurológicas que se associam a uma redução da qualidade de vida, ao prejuízo do desempenho escolar e laboral e que assumem grande relevância social e humana na população portuguesa.

Nas últimas décadas, a investigação científica dedicada às doenças neurológicas conheceu grandes avanços, permitindo identificar agentes etiológicos, fatores de risco, mecanismos fisiopatológicos e bases genéticas inerentes a diversas condições neurológicas.

Estes avanços revolucionários têm-se vindo a refletir de forma muito relevante no desenvolvimento de estratégias inovadoras de prevenção, diagnóstico e tratamento de várias patologias neurológicas e têm possibilitado uma nova realidade aos doentes neurológicos.