Skip to main content

A aventura de sermos pais

publicado em 04 Set. 2020

O teste de gravidez positivo vai marcar a partida para a grande aventura. E o sonho vai ganhar nitidez à medida que a barriga cresce, tornando-se realidade na magia de quando o bebé nasce. Desde esse minuto de máxima alegria que todas as rotinas se alteram definitivamente.

 

Apesar dos preparativos e dos diversificados conselhos de familiares e amigos com mais experiência, só a partir do momento concreto em que os dias passam a ser preenchidos pelos cuidados com o bebé é que se inicia a jornada de aprendizagem em ser mãe ou pai.

 

Uma aventura para a vida… A expressão “saber de experiência feito”, adapta-se como uma luva à parentalidade, seja qual for a idade dos nossos filhos.

 

No início, tudo gira em torno dos mil e um cuidados de que necessita um bebé recém-nascido, e as dúvidas são infindáveis. A aventura é definitivamente maravilhosa, mas não é um mar de rosas!

 

E os pais, principalmente se de primeira viagem, estão sempre preocupados e angustiados pelo choro interminável das famosas cólicas (e, naturalmente, cansados pela privação do sono), aflitos na primeira febre, ansiosos, pois “não come nada”, preocupados porque o priminho já falava ou já andava com a idade do seu, culpados quando o bebé tem de frequentar a creche arriscando-se a ficar doente. Nessa altura, imagina-se que quando o filhote deixar de ser criança e ganhar autonomia tudo será mais fácil.

 

A parentalidade é uma experiência única, e a boa notícia é que à medida que o tempo passa vamos aprendendo a ser pais. Todos nós, em maior ou em menor escala, seremos um dia ou outro assaltados por sentimentos de remorsos, não nos sentindo capazes, com pouco tempo para os nossos filhos. Sentimentos que se agravam se o divórcio, a doença ou a emigração de um dos pais ensombram inesperadamente a felicidade familiar.

 

A verdade é que as crianças têm uma fantástica capacidade de adaptação, e essa resiliência permite-lhes ir aceitando o que é menos bom, devendo a plasticidade que as caracteriza ser também aproveitada para moldar comportamentos e transmitir valores, ajudando-os a crescer como pessoas.

 

Se no princípio as dúvidas alternam entre o tipo de choro do bebé mais tarde as angústias com o futuro ocupam os pensamentos, levando por vezes a atitudes extremas relativamente ao rigor na educação e ao excesso de proibições.

 

Ter filhos é viver permanentemente numa corda bamba, se nos deixamos invadir pela ansiedade. Errar é humano. A parentalidade deve ser vivida com peso e medida. Os nossos filhos são caixinhas de surpresas e há que aproveitar ao máximo os momentos, para mais tarde, quando o ninho estiver vazio, não se sentir uma nostalgia excessiva porque não se aproveitou o bebé, a criança, o adolescente, depois um adulto como nós e de cuja infância restam as memórias arquivadas no carinho do coração.

 

Quando as coisas correrem menos bem, ou porque os filhos adoecem, ou porque andam tristes ou perderam o sono, a atenção do Pediatra que diagnostica as doenças e aconselha outro apoio especializado quando necessário, somado ao carinho dos pais na convalescença e ao indispensável diálogo – essencial se o problema é de origem psicológica –, vai permitir percorrer com mais segurança o caminho pela grande aventura da parentalidade.