A ciática é a dor que desce da lombar/nádega para a perna por irritação de uma raiz nervosa. Na maioria dos doentes, é provocada por compressão causada por uma hérnia.
Mito 1: “Se tenho uma hérnia na ressonância, isso explica as minhas dores”
Verdade. É comum existirem hérnias na ressonância em pessoas sem dor. A decisão clínica deve confirmar se a hérnia explica os sintomas, relacionando o trajeto da dor, o exame neurológico e a hérnia no nível certo.
Mito 2: “Ciática é sempre por compressão, só melhora se ‘tirarem’ a hérnia”
Verdade. Em muitos doentes há uma componente importante de inflamação química da raiz nervosa. Por isso, tratar a inflamação e modular a dor do nervo pode melhorar muito os sintomas, mesmo sem cirurgia.
Mito 3: “Ciática = cirurgia”
Verdade. A cirurgia nem sempre é necessária. Na maioria dos casos, a dor melhora com tratamento conservador ou procedimentos menos invasivos. A cirurgia reserva-se para situações bem selecionadas.
Mito 4: “As hérnias não desaparecem”
Verdade. Muitas hérnias regridem espontaneamente (reabsorção), sobretudo nos primeiros meses. Vários estudos documentam regressão espontânea em cerca de 70% das hérnias (dependendo do tipo).
Mito 5: “Se dói, tenho de ficar parado”
Verdade. Repouso absoluto prolongado raramente ajuda. Em geral, recomenda-se manter atividade dentro do tolerável e fazer reabilitação progressiva, ajustada ao caso.
Tratamento
1. Primeira linha (na maioria dos casos):
- Manter-se ativo dentro do tolerável (evitar repouso absoluto prolongado);
- Analgésicos/anti-inflamatórios quando indicados;
- Fisioterapia/exercício orientado.
2. Se a dor na perna persiste e limita:
Existem opções minimamente invasivas guiadas por imagem para precisão e segurança, com menos risco do que a cirurgia, sem cortes, sem internamento e sem longos tempos de recuperação.
- Infiltração epidural transforaminal + radiofrequência pulsada do nervo – Injeção guiada por raio-X dirigida junto à saída do nervo (forâmen), com o objetivo de reduzir a inflamação à volta da raiz e aliviar a ciática. Pode ser associada a radiofrequência pulsada, uma técnica de neuromodulação aplicada perto da raiz nervosa para reduzir hipersensibilidade e dor neuropática (ardor/choques/formigueiro).
- B) Ozono intradiscal – Procedimento em que se injeta uma mistura controlada de oxigénio–ozono no disco (em doentes bem selecionados). Em vários estudos, o ozono intradiscal mostrou-se igualmente eficaz à cirurgia, com respostas positivas em 80% dos doentes.
3. E a cirurgia?
A cirurgia (discectomia) deve ser reservada para situações de alarme, como fraqueza muscular progressiva ou perda do controlo da bexiga/intestino. Nos restantes casos, e sempre que o quadro o permita, faz sentido o tratamento com opções menos invasivas, por terem menor risco e recuperação mais rápida.