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Calçado Terapêutico no pé diabético: quando faz realmente sentido?

publicado em 20 Mai. 2026

O pé diabético continua a ser uma das complicações mais desafiantes da diabetes, não apenas pelo risco de feridas e amputações, mas também pelo impacto que pode ter na qualidade de vida das pessoas.

 

Muitas vezes, pequenas alterações no pé, associadas à perda de sensibilidade e à alteração da forma de caminhar, acabam por criar zonas de pressão que passam despercebidas até surgir uma lesão.

 

É precisamente aqui que o calçado assume um papel importante.

 

Atualmente sabemos, através da evidência científica e das recomendações internacionais para o pé diabético, que a prevenção continua a ser uma das formas mais eficazes de reduzir complicações.

 

E embora o calçado terapêutico possa ser uma ferramenta importante, a sua utilização não deve ser automática, nem igual para todos os doentes.

 

Nem todas as pessoas com diabetes necessitam de calçado terapêutico.

 

Um doente sem perda de sensibilidade, sem deformidades e sem antecedentes de feridas pode beneficiar sobretudo de vigilância regular, educação e utilização de um calçado confortável e adequado.

 

Por outro lado, pessoas com neuropatia, deformidades, zonas de maior pressão, antecedentes de úlcera ou situações mais complexas, como o pé de Charcot, apresentam um risco significativamente maior de lesão e podem necessitar de uma abordagem mais diferenciada e protetora.

 

Mais do que conforto, o objetivo do calçado terapêutico é proteger o pé.

 

Dependendo da situação clínica, pode ajudar a reduzir pressão em zonas vulneráveis, diminuir fricção, acomodar deformidades e melhorar a estabilidade durante a marcha.

 

Muitas úlceras do pé diabético surgem precisamente devido à pressão repetida e utilização de calçado inadequado.

 

Por isso, a avaliação clínica do pé e a correta estratificação do risco continuam a ser fundamentais antes de decidir qual o tipo de intervenção mais adequado.

 

Também é importante perceber que o calçado, por si só, nem sempre resolve o problema.

 

Quando existe uma ferida ativa, sobretudo na planta do pé, muitas vezes é necessário recorrer a estratégias de offloading, ou seja, técnicas e dispositivos que permitem retirar pressão da zona lesionada para favorecer a cicatrização.

 

Nalgumas situações podem ser utilizados dispositivos específicos, como o Total Contact Cast (TCC), botas de descarga ou outras soluções adaptadas à necessidade de cada doente.

Alguns cuidados importantes na escolha do calçado

Na pessoa com diabetes, pequenos detalhes podem fazer uma grande diferença na prevenção de lesões. O calçado deve ser confortável, estável e adaptado ao formato do pé.

 

Alguns cuidados simples incluem:

  • Evitar sapatos apertados ou demasiado rígidos;
  • Preferir modelos com espaço suficiente para os dedos;
  • Evitar costuras internas que possam causar fricção;
  • Escolher solas estáveis e antiderrapantes;
  • Verificar regularmente o interior do calçado antes de o calçar;
  • Evitar utilizar calçado muito gasto ou deformado.

 

Sempre que existam alterações da sensibilidade, deformidades ou antecedentes de feridas, torna-se importante procurar avaliação diferenciada.

 

No fundo, o objetivo não é apenas escolher “um sapato especial”, mas sim proteger o pé, reduzir o risco de lesão e prevenir complicações futuras.

 

Muitas vezes, pequenas adaptações feitas no momento certo podem evitar problemas graves no futuro.