A utilidade da ecoendoscopia na saúde digestiva - Trofa Saúde Skip to main content

A utilidade da ecoendoscopia na saúde digestiva

publicado em 29 Mai. 2021

A 29 de maio assinala-se o Dia Mundial das Doenças Digestivas. Esta data pretende promover a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Nas últimas décadas as inovações tecnológicas permitiram à endoscopia digestiva ser o principal método de rastreio, diagnóstico, vigilância e tratamento de várias doenças.

 

A ecoendoscopia é uma técnica que combina a endoscopia com a ecografia, para definir com precisão a localização das lesões e a sua relação com as estruturas adjacentes, identificando lesões muito pequenas não visíveis por outros métodos.

 

Pode ser associada a punção aspirativa, que é um procedimento no qual o Gastrenterologista introduz uma agulha de uma forma segura, eficaz e indolor, utilizando a ecoendoscopia para direcionar a agulha e confirmar a biopsia da lesão com colheita de tecido para avaliação histológica, essencial para o diagnóstico e o tratamento.

 

Assim, a ecoendoscopia é uma técnica essencial para o estadiamento do cancro do esófago, estômago, reto, pâncreas e das vias biliares, e também tem um papel em cancros não digestivos, nomeadamente no diagnóstico e estadiamento do cancro de pequenas células do pulmão e em linfomas.

 

É ainda indispensável no diagnóstico e vigilância de lesões subepiteliais do tubo digestivo que, por serem revestidas por mucosa normal, são de difícil avaliação pela endoscopia tradicional. Nestas, a ecoendoscopia permite a identificação da camada da parede do tubo digestivo em que a lesão subepitelial se encontra, definir as características da lesão e, com a punção aspirativa, permite estabelecer o diagnóstico.

 

Na patologia das vias biliares e pâncreas, a ecoendoscopia é o melhor método na identificação de cálculos “pedras” nas vias biliares, na avaliação da pancreatite aguda e crónica, no diagnóstico e vigilância de quistos pancreáticos e no diagnóstico e no estadiamento de tumores das vias biliares e do pâncreas, permitindo um diagnóstico histológico, com base no lema “the tissue is the issue”.

 

Devido às grandes inovações na sua vertente terapêutica, é a primeira opção na drenagem de pseudoquistos pancreáticos e na realização de neurólise ou bloqueio do plexo celíaco no controlo da dor. Permite também a realização de drenagem biliar (hepatogastrostomia e coledocoduodenostosmia ecoguiada) quando outros métodos mais convencionais falham.

 

Na patologia anorretal é útil na avaliação de fístulas, fissuras, abcessos perianais, integridade dos esfíncteres anais, no diagnóstico e no planeamento cirúrgico do envolvimento retal na endometriose pélvica.

 

Em suma, a ecoendoscopia é considerada uma técnica indispensável em todos os centros de endoscopia diferenciada. É superior a outros métodos imagiológicos na previsão de ressecabilidade das lesões tumorais e na deteção de metástases ganglionares, permitindo selecionar os doentes que mais beneficiaram do tratamento cirúrgico. Devido à sua elevada acuidade diagnóstica permite diminuir os custos e a utilização de métodos mais invasivos.