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A Violência Doméstica também é uma questão de Saúde Mental
publicado em 17 Jan. 2022

A Violência Doméstica é um ato praticado entre membros que habitam no mesmo seio familiar, podendo ocorrer entre pessoas do mesmo sangue (pais e filhos) ou pessoas unidas de forma civil (marido e mulher, ou ex-parceiro(a) romântico(a)). Pode ser subdividida em violência física, psicológica, sexual, patrimonial, económica, financeira, social e/ou moral, sendo que representa uma ação propositada e inadequada, resultante de distúrbios nas relações interpessoais.

 

No ano de 2020, em Portugal, a Associação Portuguesa de Apoio à Vitima (APAV) efetuou cerca de 66 408 atendimentos, registou 20 457 crimes e outras formas de violência e identificou 13 093 vítimas diretas, salientando que as mulheres foram a classe mais afetada, seguindo-se os homens, os idosos e, por fim, as crianças.

 

Existem inúmeros fatores de risco conexos ao ofensor: presença de eventos de vida stressantes, tipo de personalidade, existência de psicopatologia, consumo de álcool e/ou drogas, antecedentes criminais, histórico de violência familiar, entre outros.

 

Cada vítima reage de forma diferente. No entanto, as vítimas podem experimentar frequentemente sentimentos de vergonha, culpa, raiva, medo, insegurança, humilhação, impotência, tristeza profunda, desânimo, descrença, entre outros. Os episódios de violência podem contribuir para o aumento da desconfiança da vítima em relação às intenções das pessoas, maior dificuldade para se relacionar com os outros e crescimento do desinteresse por atividades e gostos anteriormente apreciados, assim como absentismo laboral.

 

Sob o ponto de vista psicológico, a pessoa vitimada pode desenvolver uma série de perturbações entre elas a perturbação de stress pós-traumático, perturbações de ansiedade, perturbações de sono, ideação suicida e/ou dependência de substâncias.

 

O psicoterapeuta pode ajudar a encontrar a origem do problema, e definir e promover soluções em conjunto com o doente para colocar termo aos comportamentos funcionais e que melhorar a qualidade de vida, aumentando a capacidade de autonomia emocional da vitima, plataforma essencial para a futura tomada de decisões e sinergicamente encaminhar o companheiro/a.

 

A título individual, o terapeuta procura, numa fase inicial, criar uma ligação terapêutica com a vítima, fazendo com que ela se sinta num ambiente seguro e confiável, conseguindo dessa forma partilhar as experiências que lhe causam sofrimento e permitindo que resgate a sua autoestima, os seus desejos e muitas vezes a sua identidade (entretanto perdida).

 

O acompanhamento psicológico visa tratar das questões de cada vítima, tendo em conta as suas idiossincrasias, isto é, sentimentos e/ou acontecimentos de vida.

 

Não se isole, procure ajuda!

 

Há que realçar que o acompanhamento psicoterapêutico pressupõe um reconhecimento de que todos podemos e devemos melhorar, alterar, mudar e procurar ser e ser-se melhor cada dia e uma oportunidade para fazer um pouco mais por nós e consequentemente pelos outros.