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Alzheimer: o diagnóstico não apaga a pessoa

publicado em 21 Set. 2026

A demência de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta a memória, o pensamento, a linguagem e, gradualmente, a capacidade para realizar as atividades do dia a dia. Contudo, quando surge um diagnóstico, existe o risco de começarmos a olhar para a pessoa sobretudo a partir do que perdeu ou poderá vir a perder.

 

A doença altera capacidades, mas não apaga a pessoa.

 

Continua a existir uma história de vida, relações, preferências, afetos, valores e necessidades emocionais. Cuidar de alguém com demência de Alzheimer implica, por isso, muito mais do que responder aos sintomas: significa preservar, durante o maior tempo possível, a sua identidade, autonomia e dignidade.

 

Proteger sem substituir

 

Preservar a autonomia não significa ignorar dificuldades ou colocar a pessoa em risco. Significa encontrar um equilíbrio entre proteger e permitir fazer.

 

Nas fases iniciais, muitas capacidades permanecem preservadas. A pessoa pode necessitar de ajuda para gerir a medicação, mas continuar a escolher a roupa que quer vestir; pode ter dificuldade em organizar uma refeição, mas continuar a participar na sua preparação; pode esquecer acontecimentos recentes e, ainda assim, expressar preferências e emoções.

 

Por isso, sempre que possível, devemos adaptar o apoio antes de substituir a pessoa naquilo que ainda consegue fazer. Os cuidados centrados na pessoa valorizam precisamente a sua participação ativa, as suas preferências, os seus direitos e o seu contexto de vida. Dar voz à pessoa significa também envolvê-la, de acordo com as suas capacidades, nas decisões que dizem respeito à sua própria vida.

 

Continuar a ser quem se é

 

Uma pessoa não é apenas aquilo de que se consegue lembrar. É também feita das relações que construiu, dos lugares onde viveu, das músicas que ouviu, das atividades de que gosta e das experiências que deram significado à sua vida.

 

Conhecer essa história torna-se particularmente importante na demência. Fotografias, músicas, objetos significativos, atividades familiares ou conversas sobre acontecimentos marcantes podem ajudar a preservar sentimentos de continuidade, pertença e identidade.

 

Assim, em vez de perguntarmos apenas “O que deixou de conseguir fazer?”, importa perguntar também: “O que ainda consegue fazer e o que continua a ser importante para esta pessoa?”

 

Cuidar de quem cuida

 

A demência de Alzheimer transforma também a vida familiar. À medida que aumenta a dependência, os familiares assumem novas responsabilidades, frequentemente durante vários anos.

 

A investigação evidencia que o cuidado prolongado pode estar associado a distress, stress familiar, sobrecarga e diminuição da qualidade de vida. Por outro lado, o apoio social, a perceção de competência para cuidar e os recursos psicológicos, como o perdão, podem favorecer uma melhor adaptação.

 

Apoiar o cuidador é, portanto, parte integrante dos cuidados à pessoa com doença de Alzheimer. Informação, capacitação, apoio psicológico e redes de apoio social e comunitário são essenciais para proteger o bem-estar de ambos.

 

Neste Dia Mundial da Doença de Alzheimer…

 

A resposta à doença não pode ficar limitada à pessoa e à família. Exige articulação entre profissionais, serviços de saúde, respostas sociais e comunidade, garantindo cuidados continuados, integrados e humanizados. Importa recordar que um diagnóstico não retira a uma pessoa o direito de participar, escolher, ser escutada e continuar a pertencer.

 

Cuidar não é apenas compensar aquilo que se perde. É também preservar aquilo que permanece. Promover autonomia sempre que possível. Escutar antes de decidir. Apoiar sem substituir desnecessariamente. Adaptar sem excluir. Porque, mesmo quando a memória começa a falhar, a dignidade não desaparece.