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Astenopia digital: já ouviu falar?

publicado em 03 Ago. 2022

Na atualidade, os equipamentos eletrónicos dominam o nosso quotidiano. A utilização prolongada de dispositivos com ecrã LCD está associada a um esforço acrescido e prolongado de focagem a curta distância (acomodação), de convergência prolongada dos olhos necessária para a visão binocular ao perto e ainda uma redução involuntária do pestanejo, maior evaporação do filme lacrimal e assim queixas de olho seco. Este esforço prolongado (>3h/dia) pode provocar falência dos mecanismos de adaptação a esta exigência visual aumentada, com exaustão dos músculos oculares e provocar sintomas de fadiga ocular (astenopia).

A astenopia digital manifesta-se por vários sintomas, geralmente temporários, mas que podem tornar-se permanentes, se não for reconhecida e tratada. Podem surgir cefaleias, sensação de peso e fadiga ocular, visão turva para perto e dificuldade de leitura ao final do dia, bem como visão turva ao longe após esforço visual prolongado ao perto, sensação de focagem visual mais lenta ou, raramente, visão dupla (diplopia).

Existem também sintomas relacionados com o olho seco, como os olhos vermelhos e irritados, sensação de corpo estranho ocular, ardor, fotofobia e intolerância a lentes de contacto. Pode haver também fadiga, diminuição da concentração, perturbações no sono e na memória, entre outros, com consequências a nível social e profissional, diminuindo a produtividade.

 

Se a astenopia digital for detetada e tratada, estes sintomas podem ser reduzidos ou eliminados, sendo por isso fundamental a avaliação médica oftalmológica para o diagnóstico atempado e para a deteção das eventuais patologias oculares ou distúrbios da motilidade ocular, que podem coexistir e contribuir para o seu agravamento.

Existem várias estratégias terapêuticas para a astenopia digital:

1) Correção de erros refrativos não corrigidos. É fundamental a sua deteção em consulta de Oftalmologia para a prescrição da correção atualizada e ajustada;

 

2) Realização de pausas durante a atividade com dispositivos eletrónicos. A regra “20-20-20” constitui uma medida eficaz
na atenuação sintomatológica, bem como na prevenção da fadiga ocular, e consiste em fazer uma pausa a cada 20 min., durante 20 seg., desviando o olhar para um ponto de fixação ao longe a 6 metros;

 

3) Lubrificação ocular com colírios de lágrimas artificiais;

 

4) Estratégias de controlo de fatores ambientais: evitar ambientes secos, fumos e fortes fluxos de ar (ar condicionado). O défice de iluminação aumenta a exigência visual. A iluminação excessiva também é prejudicial, pelo encandeamento e reflexos luminosos. O ecrã do computador deverá situar-se a 60 cm, com o seu limite superior ao nível dos olhos, criando um ângulo de 15-20º com o eixo visual. Já os pequenos ecrãs dos smartphones deverão situar-se a 35-40cm. Uma sobre exposição à luz azul dos ecrãs LED pode prejudicar a qualidade do sono e assim a colocação de filtros pode ser benéfica.

A astenopia digital não causa sequelas irreversíveis, mas torna-se importante que o doente com esta sintomatologia recorra a uma consulta de Oftalmologia, pois o seu diagnóstico, rastreio de patologias oculares e distúrbios da mobilidade associados permitirão a adoção de todas as estratégias terapêuticas ajustadas a cada caso e levarão à redução dos sintomas, melhoria do funcionamento mental e psicológico, da performance profissional e qualidade de vida.

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