A esperança média de vida tem vindo a aumentar em Portugal. No entanto, este é dos países da Europa onde há maior prevalência de vulnerabilidades na população idosa e baixos níveis de envelhecimento saudável.
Numa altura em que os media sublinham a importância de prepararmos as nossas finanças na altura da reforma, através de Planos Poupança Reforma ou outros produtos financeiros, será que poderemos de alguma forma investir para termos mais saúde nas últimas décadas da vida?
Sendo a saúde considerada um dos maiores luxos que se pode ter, faz todo o sentido pensarmos em formas de a manter, vivendo mais anos livres de incapacidades e limitações.
É certo que nem sempre está nas nossas mãos evitar o aparecimento de uma doença e que existem fatores não modificáveis, que condicionam o nosso envelhecimento. Porém, a ciência prova que o estilo de vida tem um impacto enorme nas principais causas de morbimortalidade atuais: as doenças cardiovasculares e o cancro.
O estilo de vida define-se como um conjunto de hábitos e comportamentos, que podem ser modificados e que influenciam o estado da nossa saúde. Inclui seis pilares fundamentais: alimentação, atividade física, sono, relações sociais, gestão do stresse e evicção de substâncias de risco.
- Alimentação: diversificada e equilibrada, com preferência por alimentos no seu estado principal, rica em fibras e antioxidantes, evitando alimentos processados.
- Atividade física: exercício ou movimento realizado de forma regular, que deve incluir treino de força e de equilíbrio.
- Sono: hábitos de sono salutares, com horários regulares de deitar e despertar, tendo em consideração os parâmetros da higiene do sono.
- Relações sociais: conectividade com outras pessoas, que fomenta o sentido de pertença e de propósito, evitando o isolamento e o sentimento de solidão.
- Gestão do stresse: cuidar da saúde mental, resolver traumas, aprender a gerir emoções e a utilizar estratégias de coping.
- Evicção de substâncias de risco: álcool, tabaco, drogas e exposição a outras
substâncias aditivas ou tóxicas.
Neste processo é fundamental refletirmos acerca da nossa finitude, de como queremos viver em todas as fases da nossa vida, percebendo que está ao nosso alcance envelhecer com qualidade e saúde. Essa intenção será a linha orientadora da construção
de um estado pleno de saúde física, mental e social.
O médico de família é o grande aliado da promoção da saúde e prevenção da doença, vendo a pessoa para além da patologia, acompanhando-a de forma holística e integrada na sua família e na sua comunidade.