Skip to main content
Incontinência Urinária de Esforço: será o laser uma opção válida?
publicado em 11 Dez. 2020

Alguns problemas de saúde não afetam apenas o corpo e a qualidade devida das pessoas, mas também a sua autoestima. É o caso da incontinência urinária, que consiste nas perdas involuntárias de urina que se apresentam de forma muito diversificada, desde fugas muito pequenas e ocasionais a perdas mais graves e regulares. Apesar de ser uma patologia muito frequente, apenas 10% das doentes procuram o médico; as restantes recorrem à automedicação ou à autoproteção. O normalizar da situação e o medo do tratamento cirúrgico levam a que muitas mulheres não procurem ajuda especializada.

 

A Incontinência Urinária é classificada em:

 

  • Incontinência de esforço: perda de urina quando tosse, espirra, com o exercício, etc…
  • Incontinência de urgência: ocorre repentinamente, acompanhada de uma vontade súbita e intensa de ir à casa de banho.
  • Incontinência mista: combinação da incontinência de esforço e de urgência. E, menos frequentes, a Incontinência por extravasamento, Incontinência funcional e Enurese noturna.

 

A Incontinência Urinária de Esforço (IUE) deve-se à redução do tónus muscular do pavimento pélvico, que leva ao enfraquecimento do mecanismo encerramento da uretra. Os principais fatores de risco para IUE são: idade, comorbilidades, a obesidade, obstipação, tabaco, atividades ocupacionais, menopausa, raça, predisposição familiar, gravidez, parto, paridade, cirurgia pélvica e prolapso genital.

 

A primeira abordagem no tratamento da Incontinência Urinária de Esforço passa por alterações do estilo de vida e reabilitação do pavimento pélvico. Até há poucos anos atrás, quando a abordagem inicial não apresentava resultados, o tratamento cirúrgico com a colocação de uma fita para sustentação da uretra era a única opção.

 

O aparecimento do laser vaginal, veio revolucionar o tratamento da Incontinência Urinária de Esforço. O tratamento com laser vaginal é baseado na estimulação fototérmica; isto significa que o calor promove a reestruturação e estimulação na síntese de novo colagénio nas paredes da vagina, provocando o seu encolhimento e contração do tecido da mucosa vaginal e fáscia endopélvica, aumentando o suporte da bexiga e promovendo o retorno da função de continência urinária normal. O procedimento não tem qualquer tipo de incisão ou dor, não há ablação de tecidos, cortes, sangramento ou suturas.

 

Esta técnica inovadora pode ser realizada no consultório, com a vantagem de não necessitar de anestesia. Em média, a mulher realiza 3 sessões com duração de 30 minutos com 6 semanas de intervalo.
Não existe idade standard para realizar o tratamento, estando tão indicado na IUE no pós-parto como após a menopausa. Apesar de ser uma técnica recente, os últimos estudos revelam um elevado grau de satisfação das doentes (> 80%). As mulheres que mais beneficiam com o tratamento são as que sofrem de Incontinência de Esforço leve a moderada ou mista; no entanto, todos os casos devem ser avaliados e discutidos individualmente; gerindo desta forma as dúvidas e expetativas da doente.