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Odontopediatria: abordagem multidisciplinar

publicado em 07 Ago. 2026

Atualmente, a Odontopediatria não se inicia apenas quando surge uma cárie, dor ou outra alteração visível. Começa logo nos primeiros meses de vida, numa fase em que a respiração, a posição da língua, a amamentação, a mastigação e os hábitos de sucção influenciam o crescimento da boca e da face.

 

Cerca de 80% do crescimento craniofacial ocorre até aos 6 anos de idade, pelo que a intervenção precoce é fundamental.

 

A respiração, a mastigação, a deglutição e a postura da língua influenciam diretamente o desenvolvimento dos maxilares e da face.

 

Quando predomina a respiração oral, podem surgir alterações na posição dos dentes, da língua e da musculatura orofacial, com repercussão na oclusão. Respirar pela boca pode também provocar alterações craniofaciais, na fala, na alimentação, na postura corporal, na qualidade do sono e, consequentemente, no desempenho ao longo do dia.

 

As crianças respiradoras orais apresentam, frequentemente, como causas de obstrução nasal a hipertrofia das adenoides e/ou amígdalas, rinite, sinusite, desvio do septo nasal e pólipos nasais. Podem apresentar alterações craniofaciais, nomeadamente face alongada e estreita, boca entreaberta, narinas estreitas e orientadas superiormente, olheiras marcadas e alteração da postura corporal.

 

Tendem, igualmente, a preferir alimentos de consistência mole, devido a más oclusões, palato estreito e profundo, interposição lingual e alterações da atividade da musculatura oral. Como as vias aéreas se encontram comprometidas, estas crianças podem apresentar ronco, sialorreia, agitação durante o sono, dificuldade de concentração e sonolência diurna, podendo mesmo existir apneia do sono.

 

A respiração oral afeta também a saúde oral, ao favorecer a secura das mucosas e a diminuição do fluxo salivar, o que pode contribuir para mau hálito, problemas gengivais e infeções orais.

 

Relativamente à mastigação, esta deve ser bilateral, contribuindo para um crescimento e desenvolvimento craniofacial equilibrados, processo esse que se inicia já na amamentação.

 

A Ortopedia Funcional dos Maxilares (OFM) é uma área da Odontopediatria que utiliza aparelhos funcionais removíveis para estimular um crescimento e desenvolvimento harmoniosos dos maxilares, removendo interferências desfavoráveis durante o crescimento fisiológico das estruturas orais e atuando sobre o sistema neuromuscular, o que pode favorecer a obtenção de posições dentárias funcionais e esteticamente adequadas.

 

É importante identificar precocemente a causa da respiração oral, para que o hábito seja corrigido e se previnam complicações futuras.

 

A OFM favorece o crescimento harmonioso da face e melhora as funções de mastigação, respiração e deglutição. Pode reduzir a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro e contribuir para uma oclusão mais saudável.

 

Estão referenciadas as causas, quando se identificam alterações da oclusão, como mordida cruzada ou mordida aberta, maxilares pouco desenvolvidos, respiração oral, com os hábitos como uso de chupeta ou sucção digital e alterações do crescimento facial.

 

Quanto mais cedo for identificada uma alteração e iniciada a intervenção, maior será o aproveitamento do potencial de crescimento natural da criança.

 

Este tratamento pode iniciar-se entre os 4 e os 10 anos, dependendo de cada caso.

 

Cada criança é única, pelo que deve ser feita uma avaliação clínica detalhada, com definição de um plano de tratamento personalizado e utilização de aparelhos adaptados às necessidades e à fase de crescimento.

 

Assim, é importante integrar uma abordagem multidisciplinar, com a colaboração do Otorrinolaringologista, do Terapeuta da Fala com atuação miofuncional, do Odontopediatra e do Nutricionista pediátrico, em casos como a respifrração oral.