A Demência de Alzheimer é a forma mais comum de demência e representa um dos maiores desafios da saúde pública da atualidade. Nas últimas décadas, a prevalência mundial da demência aumentou de forma significativa, bem como a mortalidade associada.
Estima-se que cerca de 75% das pessoas com demência permaneçam sem diagnóstico, o que significa milhões de casos não identificados em todo o mundo.
Em Portugal, calcula-se que cerca de 90.000 pessoas vivam com Demência de Alzheimer. Este número poderá, ainda assim, estar subestimado devido às dificuldades no diagnóstico precoce. Com o aumento da esperança média de vida, prevê-se que estes valores continuem a crescer.
A doença de Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa progressiva. Afeta inicialmente a memória, mas evolui gradualmente para alterações da linguagem, orientação, capacidade de decisão e comportamento.
Importa salientar que as alterações cerebrais associadas à doença, como o depósito anómalo de proteínas como a beta-amiloide e a tau, começam muitos anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
Sinais a que deve estar atento
Numa fase inicial, podem surgir esquecimentos frequentes, dificuldade em encontrar palavras, perda de objetos ou desorientação em locais familiares. Com a progressão da doença, tornam-se mais evidentes as dificuldades na realização de tarefas do dia-a-dia, alterações de humor, ansiedade, apatia, irritabilidade e, em alguns casos, ideias delirantes.
Distinguir o envelhecimento normal dos sinais de declínio cognitivo é fundamental. O diagnóstico precoce permite planear cuidados, ajustar rotinas, iniciar terapêutica adequada e implementar estratégias que promovam uma maior qualidade de vida.
O impacto na família e nos cuidadores
A demência não afeta apenas a pessoa diagnosticada, transforma profundamente a dinâmica familiar. Em Portugal, a maioria dos cuidados é assegurado por cuidadores informais, geralmente familiares diretos.
A sobrecarga física e emocional é frequente. Tristeza, exaustão, ansiedade e sentimentos de impotência são comuns. Por isso, cuidar do cuidador é tão importante quanto cuidar da pessoa com demência.
O apoio psicológico, a capacitação e grupos ou redes de apoio revelam-se fundamentais na diminuição da sobrecarga e na promoção do bem-estar.
Intervenção: para além da medicação
Embora a medicação ajude a atenuar sintomas, atualmente não existe cura para a doença. Assim, as intervenções não farmacológicas assumem um papel central.
Entre as abordagens psicológicas mais relevantes destacam‑se:
- Estimulação cognitiva;
- Terapia cognitivo‑comportamental;
- Terapia de aceitação e compromisso;
- Terapia da dignidade;
- Psicoterapia centrada na pessoa;
- Terapia de reminiscência;
- Intervenções baseadas em mindfulness;
- Abordagens focadas no perdão.
Como terapias complementares, incluem-se a musicoterapia, a atividade física regular, a terapia ocupacional, a intervenção artística, a promoção do envolvimento social e os recursos digitais e tecnológicos adaptados.
A adoção de estilos de vida saudáveis ao longo da vida, tais como o controlo da hipertensão e diabetes, a prática regular de exercício físico e a estimulação cognitiva, pode contribuir para reduzir o risco ou atrasar o aparecimento da demência.
A importância de uma abordagem multidisciplinar
O acompanhamento da pessoa com demência deve ser realizado por uma equipa multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais de saúde.
Uma intervenção integrada permite atuar não apenas nos sintomas cognitivos, mas também nas dimensões emocionais, comportamentais e familiares, para promover maior dignidade, autonomia e qualidade de vida ao longo do percurso da doença.
A Demência de Alzheimer continua a representar um enorme desafio, mas a informação, o diagnóstico precoce e o apoio adequado fazem a diferença. Procurar ajuda especializada é um passo essencial para cuidar melhor de quem vive com a doença e de quem cuida.