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Novos exames e tratamentos no doente diabético

publicado em 11 Mar. 2020

A diabetes (DM) é uma epidemia, está a aumentar, e veio para ficar. É a maior epidemia do século XXI. Estima-se que existam 387 milhões de pessoas com DM em todo o mundo, número que deverá subir para 592 milhões em 2035. A DM por si só confere um risco de eventos coronários major comparável aos dos doentes com história prévia de Síndrome Coronário Agudo.1 Mesmo antes do desenvolvimento da DM, os pré-diabéticos têm um elevado risco de doença macrovascular (AVC, Enfarte Miocárdio) (1).

 

Tratar a diabetes não é apenas controlar os valores do açúcar (glicemia), mas é descobrir e tratar os fatores de risco cardiovascular a ela associados (Hipertensão arterial, Dislipidemia, Insuficiência Renal/ Proteinúria). Assume, assim, cada vez mais importância a avaliação do doente diabético pela Medicina Interna, especialidade holística que vê o doente como um todo, e que sabe tratar não só cada um destes problemas isolados, mas consegue fazer a interligação de todos eles, com os inequívocos benefícios para o doente (2).

 

Deve haver maior agressividade no rastreio de isquemia oculta e também de DM ou pré-diabetes não diagnosticadas, sugerindo o despiste de ambas as situações de forma sistemática, quando qualquer uma delas está presente (3). Enfartes silenciosos ou com sintomas atípicos são mais comuns em doentes diabéticos, reduzindo assim a oportunidade de se administrar o tratamento adequado (3).

 

Em 2019 a ESC (Sociedade Europeia de Cardiologia) em conjunto com a EASD (Associação Europeia para o Estudo da Diabetes) elaborou guidelines para a Diabetes, Pré-Diabetes e Doenças Cardiovasculares (4):
Antiagregação para prevenção primária pode ser considerada em diabéticos com alto/muito alto risco cardiovascular.
O uso concomitante de Inibidor Bomba de Protões é recomendado em doentes a fazer antiagregação ou hipocoagulação.
Para baixar os níveis de açúcar (glicemia) novos fármacos assumem preponderância, sendo que pela primeira vez ficou demonstrado o seu benefício no tratamento de Insuficiência Cardíaca (ICC) e no retardar na progressão da Insuficiência Renal/Proteinúria, além da redução da glicemia.
Novos fármacos são agora recomendados em diabéticos com ICC em determinadas circunstâncias.
Baixa dose de hipocoagulação + antiagregação pode ser considerado em doentes com Diabetes e Doença Arterial Periférica, em doentes selecionados.

 

Alguns Exames a efetuar:
a) Avaliação de rotina da microalbuminúria;
b) ECG em repouso;
c) Ecodopller para avaliar a presença de placas nas carótidas ou a nível femural;
d) Score de Cálcio por TAC;
e) AngioTAC Coronárias ou testes funcionais de imagem (cintigrafia de perfusão miocárdio, RMN Cardíaca ou Ecocardiograma sobrecarga) podem ser considerados em diabéticos assintomáticos na triagem de Doença Coronária (DC).

 

O Trofa Saúde Hospital em Barcelos tem uma equipa multidisciplinar à sua disposição para o ajudar a fazer frente às epidemias do dia a dia. Nesta unidade terá ao seu dispor os mais avançados meios de diagnóstico e tratamento e poderá contar com o apoio de outras unidades Trofa Saúde caso necessite de internamento. Pode contar connosco. Contamos consigo.

 

Bibliografia:
(1) Susana Martins; a Diabetes Mellitus como equivalente de doença cardiovascular: implicações para a redução do risco; Risco Cardiovascular, 2009
(2) Paulo Ferreira, O meu doente é Diabético e tem Doença Coronária; VIII Jornada de Cardiologia de Guimarães e XV Jornadas de Cardiologia do Minho; 26 Fevereiro 2010
(3) European Heart Journal (2007) 28, 88–136 doi:10.1093/eurheartj/ehl260
(4) ESC Guidelines on Diabetes, pre-diabetes and cardiovascular diseses in collaboration with EASD (European Heart Journal 2019.doi/10.1093/eurheartj/ehz486)