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Hérnias: o que são, onde aparecem, sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

publicado em 09 Mar. 2026

As hérnias são normalmente reconhecidas pelos doentes, como “papos”, “tumefações” ou “forças”.

 

Estas são defeitos, mais frequentemente na parede abdominal anterior, mas que podem ter outras localizações.

 

Locais como o umbigo, a “linha” divisória entre o lado esquerdo e direito do abdómen – linha média, em ambas as linhas externas dos músculos abdominais centrais (os músculos retos abdominais), cicatrizes de entrada na cavidade abdominal, entre outros, são outras localizações possíveis.

 

Estas hérnias nada têm a ver com as hérnias da coluna, Hérnias discais, que são uma patologia das especialidades de Ortopedia ou Neurocirurgia. A hérnia resulta da passagem do conteúdo intra-abdominal – gordura, ansas de intestino, ou outro órgão, por um defeito ou fraqueza na parede abdominal.

 

Esse defeito pode ser natural ou resultante de uma intervenção cirúrgica anterior. Geralmente os doentes associam o seu aparecimento a uma situação que surge de forma mais ou menos brusca e em relação com um esforço, noutras ocasiões são tumefações que vão crescendo com o tempo.

 

Dada a sua multiplicidade de localizações, denominações, irei falar das mais frequentes e comuns, para as menos comummente reconhecidas.

Hérnia Inguinal

A hérnia inguinal é o defeito mais frequente na parede abdominal a nível da região inguinal e pelo qual resulta a exteriorização de gordura, ansas intestinais, bexiga e apêndice. Tanto pode aparecer só numa das virilhas, como nas duas.

 

Afeta cerca de 3-10% da população em idade ativa, sendo mais frequente no sexo masculino. Profissões mais exigentes do ponto de vista físico, têm uma maior frequência destes problemas. Atletas de alta competição, trabalhadores ligados à construção civil, são exemplos práticos, disso mesmo, pelo esforço fisico que ainda hoje aplicam na sua atividade.

 

Normalmente os pacientes apresentam sintomas que podem ser inespecíficos, como dor na virilha, tumefação que se agrava com o esforço, tumefação que tem vindo a crescer, que geralmente reduz ou até desaparece quando deitados. Nas situações mais avançadas, essa tumefação poderá não desaparecer e gerar grande desconforto.O seu diagnóstico é efetuado essencialmente pelo exame ísico adequado do doente.

 

A palpação e a pesquisa de tumefação no canal inguinal é, por regra suficiente para o diagnóstico. Em caso de dúvida, a ecografia da região dá-nos o diagnóstico definitivo e
diagnósticos diferenciais. Com o passar do tempo a hernia inguinal tem tendência a aumentar de volume e gerar cada vez mais desconforto.

 

O uso de fundas não é aconselhável, antes, o doente deve procurar ajuda profissional. O Cirurgião, para que sejam adoptadas as medidas adequadas e atempadas para a
resolução da situação clinica. Só a adoção de medidas terapêuticas adequadas poderão evitar complicações, como o encarceramento/estrangulamento da hernia.

 

Esta última situação é mesmo uma emergência cirúrgica, e uma consequência poderá ser mesmo a de ter de “cortar intestino”, se não atempada a intervenção. O único tratamento válido, eficaz e definitivo é a Cirurgia. As técnicas cirúrgicas podem variar, e devem ser ajustadas às características de cada doente.

 

Normalmente, o tratamento da hérnia inguinal envolve o uso de próteses  “redes” e a sua aplicação tanto pode ser feita por técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como a convencional intervenção por incisão sobre a área da hérnia. A recuperação do doente, operado à hernia inguinal, poderá variar, consoante a técnica cirúrgica escolhida, e a profissão do doente. Entre 15 e 30 dias é, por norma um período de recuperação expectável.

 

Em resumo: a hérnia inguinal é um problema de saúde, que pode ter uma resolução atempada, com segurança e evitar complicações mais graves, pelo que o conselho é procure ajuda e deixe-se tratar.