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A Obesidade é uma doença crónica e complexa

publicado em 25 Mai. 2026

A obesidade é classificada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença crónica e recidivante, resultante de interações complexas entre fatores genéticos, neurobiológicos, comportamentais e ambientais, incluindo comportamentos alimentares, acesso a dietas pouco saudáveis e influências sociais. Em Portugal, mais de metade da população adulta apresenta excesso de peso ou obesidade, sendo que cerca de 15,9% são obesos.

 

Para além do impacto clínico, a obesidade está associada a um aumento substancial de doenças crónicas, como a diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, sendo responsável por cerca de 7,5% das mortes em Portugal. Este cenário traduz-se também num elevado custo económico e social, refletindo-se no aumento da utilização de cuidados de saúde, perda de produtividade e agravamento das desigualdades em saúde.

 

A prevenção da obesidade deve constituir uma prioridade crescente, nomeadamente através da promoção de hábitos de vida saudáveis desde a infância, incluindo uma alimentação baseada em produtos frescos e não processados e na prática regular de exercício físico. Contudo, é atualmente reconhecido que a obesidade é uma doença complexa. Para além de um simples desequilíbrio entre ingestão e gasto energético, envolve alterações profundas na regulação do metabolismo celular, com a participação de múltiplos sistemas do organismo, nomeadamente o sistema endócrino, o sistema nervoso central e o sistema digestivo.

 

Com um conhecimento maior sobre como esta doença se desenvolve e quais os mecanismos envolvidos, hoje em dia, existem várias armas terapêuticas que podem ser usadas para controlar a obesidade e devolver a saúde e a qualidade de vida que tantos obesos anseiam.

 

A cirurgia metabólica é considerada a intervenção mais eficaz para a perda de peso sustentada em indivíduos com obesidade grave. Procedimentos como o bypass gástrico e a gastrectomia vertical (sleeve) permitem perdas de peso elevadas e sustentadas (tipicamente 25–35% do peso corporal), com elevada taxa de remissão de doenças metabólicas, particularmente da diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.

 

Para além do efeito restritivo e/ou mal absortivo, a cirurgia induz alterações hormonais que contribuem para a regulação do apetite e do metabolismo. À medida que o conhecimento nesta área evolui, têm sido desenvolvidas abordagens cirúrgicas mais individualizadas, adaptadas ao perfil de cada doente, com resultados promissores. O facto de a maioria dos procedimentos ser realizado por via minimamente invasiva, associado à melhoria contínua dos materiais e técnicas, contribui para uma baixa taxa de complicações e uma recuperação rápida e satisfatória.

 

A cirurgia, quando integrada com intervenções no estilo de vida e, em alguns casos, com terapêutica farmacológica, representa uma estratégia altamente eficaz no tratamento da obesidade, refletindo a necessidade de uma abordagem multidisciplinar e centrada no doente.