Compreensão dos Ataques de Pânico
Os ataques de pânico representam uma condição complexa para o indivíduo, com potencial de provocar um elevado grau de sofrimento. Muitas vezes, quem sofre estes episódios enfrenta estigma e falta de compreensão por parte dos familiares e da rede de apoio, que tendem a desvalorizar e desacreditar o que a pessoa está a sentir.
Um ataque de pânico caracteriza-se por um episódio súbito de medo ou desconforto intenso que atinge o seu pico em poucos minutos. Estes episódios manifestam-se através de uma variedade de sintomas físicos e cognitivos.
Entre os sintomas físicos mais comuns encontram-se palpitações, sudorese, tremores, dificuldade em respirar, sensação de asfixia, dores no peito, tonturas, calafrios e ondas de calor. A nível cognitivo, podem surgir sensações de que o mundo não é real (desrealização), um distanciamento de si próprio (despersonalização), e um medo intenso de perder o controlo, enlouquecer ou de morte iminente.
Embora frequentemente os ataques de pânico pareçam ocorrer “do nada”, podem estar associados a causas subjacentes como situações de stress excessivo, experiências traumáticas, fatores ambientais e sociais, ou ainda a presença de outras condições clínicas que contribuam para o aparecimento dos sintomas. Reconhecer estes episódios, descartar outras possíveis doenças e identificar os respetivos gatilhos é essencial para uma intervenção adequada.
Como Ajudar Alguém em Pânico
Durante um ataque de pânico, é fundamental agir com empatia e compreensão. Devem-se seguir orientações que priorizem atitudes e ações que promovam o bem-estar imediato da pessoa em crise.
É importante evitar medidas contraproducentes, como insistir para que a pessoa se acalme, sobrecarregá-la com informações ou minimizar a gravidade dos sintomas, uma vez que estas atitudes podem intensificar a sensação de isolamento e desvalorização.
O suporte deve privilegiar uma comunicação clara, empática e tranquilizadora, com frases curtas e objetivas. É fundamental garantir o conforto e manter uma atitude de não julgamento, reforçando que a pessoa não está sozinha.
Caso a situação se agrave ou pareça fora de controlo, poderá ser necessário recorrer aos serviços de emergência para assegurar cuidados adequados. Quem presta ajuda deve estar atento aos seus próprios limites.
Intervenção Clínica no Pânico
O tratamento desta perturbação pode exigir uma abordagem multidisciplinar, envolvendo por vezes especialidades como a Psicologia, a Medicina Geral e Familiar e a Psiquiatria.
No âmbito da Psicologia, uma das estratégias poderá ser a psico-educação, que pode passar, por exemplo, por ajudar o paciente a ter uma maior compreensão sobre os sintomas, possíveis causas e formas de prevenir episódios futuros, promovendo uma compreensão das estruturas subjacentes aos episódios e consequentemente adquirir uma sensação de maior controlo sobre a situação.
O treino de técnicas de relaxamento, como grounding, relaxamento muscular progressivo e exercícios de respiração diafragmática, pode ser também relevante. Estas técnicas, juntamente com a elaboração de um plano de estratégias de coping adaptativas, podem ajudar o cliente a lidar melhor com os episódios de pânico, colocando-o numa posição proativa que lhe permita, pelo menos em parte, uma maior capacidade para reduzir a frequência e a intensidade dos ataques.
O acompanhamento psicológico regular e estruturado permite avaliar áreas problemáticas do quotidiano da pessoa e promover mudanças mais saudáveis em diferentes domínios, como podem ser o caso de rotinas desadequadas, má higiene de sono assim como outros aspetos do seu estilo de vida.
Para a prevenção e promoção do bem-estar, as práticas de autocuidado podem ser também fundamentais. A gestão do stress, a identificação e mitigação de fatores desencadeantes (como sobrecarga de trabalho ou conflitos interpessoais), bem como a adoção de rotinas saudáveis: boa higiene do sono, exercício regular, alimentação equilibrada e melhoria do convívio social podem contribuir significativamente para uma maior estabilidade emocional.
Os ataques de pânico são experiências intensas e debilitantes, mas, com suporte adequado, é possível recuperar a qualidade de vida. A combinação de apoio imediato, intervenção clínica e estratégias preventivas a médio/longo prazo pode ser a chave para uma abordagem eficaz e consistente para este tido de perturbação.