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Asma, uma doença bem (mal) controlada?

publicado em 21 Mai. 2026

A Asma é uma doença respiratória crónica comum, que afeta cerca de 6,8% da população portuguesa e que, normalmente, se caracteriza por inflamação crónica e hiper-reactividade das vias aéreas.

 

Define-se pela ocorrência de sintomas respiratórios – como «falta de ar», «aperto no peito», tosse e pieira – associados a uma limitação variável do fluxo aéreo expiratório, ambos com intensidade variável no tempo.

 

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, quase metade dos asmáticos não possuem a sua asma controlada e isso acarreta riscos para o doente, que contribuem para uma maior debilidade e mortalidade precoce.

 

O controlo da asma pode ser averiguado incidindo sobre: o controlo de sintomas e o risco de desenvolvimento futuro de complicações ou de resultados adversos.

 

Um outro ponto importante na avaliação do controlo da asma é a avaliação regular da função pulmonar, com recurso a métodos complementares de diagnóstico (como é o caso da espirometria com prova de broncodilatação).

 

Quanto ao controlo de sintomas, o Asthma Control Test é uma ferramenta de avaliação utilizada muito frequentemente em contexto clínico, que, relativamente às últimas 4 semanas, questiona ao utente as seguintes questões:

 

1) «(…) quanto tempo é que a asma o/a impediu de fazer as suas tarefas habituais (…)?»;

 

2) «(…) quantas vezes teve falta de ar?»;

 

3) «(…) quantas vezes os sintomas de asma (pieira, tosse, falta de ar, aperto ou dor no peito) o/a fizeram acordar de noite ou mais cedo do que é costume de manhã?»;

 

4) «(…) quantas vezes usou os seus medicamentos para alívio rápido, em inalador ou nebulizador, como por exemplo salbutamol?»;

 

5) «Como avaliaria o seu controlo da asma (…)?».

 

Se é asmático e se, relativamente às últimas 4 sememas, para a pergunta 1 considera a sua resposta «Pouco tempo» ou mais frequente do que isso; para a pergunta 2 considera ser mais frequente do que «1 ou 2 vezes por semana»; para a pergunta 3 considera ser mais frequente do que «1 ou 2 vezes»; para a pergunta 4 considera ser mais frequente do que «1 vez por semana ou menos» e se para a pergunta 5 considera que a sua asma é «Bem controlada», deve entrar em contacto com o seu médico a fim de ser criteriosamente avaliado(a) já que poderá ter uma asma parcialmente controlada ou não controlada, de acordo com esta ferramenta.

 

Os fatores de risco de desenvolvimento futuro de complicações ou de resultados adversos são extensos e podem dividir-se em: fatores de risco para exacerbações (através de fatores específicos associados, por exemplo, à existência de uma função pulmonar deficiente, à ocorrência de sintomas frequentes, etc.), fatores de risco para o desenvolvimento de limitação do fluxo aéreo persistente (como por exemplo o tabagismo, etc.) e fatores associados aos efeitos secundários de medicação ou incorreta utilização da mesma.

 

Os objetivos do tratamento da asma passam pela otimização e controlo dos sintomas (permitir o cumprimento das atividades normais do dia-a-dia sem sintomas/limitações, ou minimizar os seus efeitos; minimizar os despertares noturnos por sintomas, a necessidade do uso de terapêutica de SOS, etc.) e pela redução do risco futuro (isto é, prevenir exacerbações e a necessidade de uso de terapêutica em SOS/idas ao serviço de urgência/necessidade de internamento, otimizar função pulmonar e utilização da terapêutica de controlo na mais baixa dose eficaz para reduzir os seus efeitos adversos).

 

A asma é uma doença complexa, que requer uma grande atenção por parte dos doentes e dos profissionais de saúde, sendo o seu controlo e vigilância fundamentais para o incremento da qualidade de vida dos doentes e para a diminuição das comorbilidades, das complicações e dos riscos inerentes a uma asma mal controlada.

 

De acordo com a Direção Geral de Saúde, esta doença possui duas efemérides: o Dia Mundial da Asma (primeira terça-feira de maio) e o Dia Nacional do Controlo da Asma (21 de Junho).

 

Cuide da sua Asma, cuide de Si!