Apesar de o sono ser um dos pilares essenciais à saúde, ainda é visto por muitos como uma perda de tempo, refletindo uma ideia de sociedade permanentemente ativa onde o sono é considerado um adversário para a produtividade e diversão.
No Dia Mundial do Sono de 2026, o mote é claro: “Sleep well, live better” — Dormir bem, viver melhor.
Afinal, porque é que dormimos?
Dormir é muito mais do que descansar. Durante o sono o corpo recupera, o cérebro organiza a informação do dia, consolida memórias, melhora a concentração, ajuda a regular o humor e fortalece o sistema imunitário.
O sono também tem um papel fundamental no metabolismo. Sabemos hoje que, dormir pouco ou mal desregula o apetite, contribuindo para o ganho de peso, resistência à insulina ou Diabetes mellitus tipo 2.
Também sabemos que o sono tem um grande impacto no sistema cardiovascular, sendo que distúrbios do sono estão associados a maior risco de hipertensão arterial, enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Quantas horas devemos dormir?
A pergunta é frequente e a resposta é: depende da idade e do organismo. Nos adultos, está recomendado dormir entre 7 a 9 horas por noite.
Como saber se estou a ter um sono de má qualidade?
O sono de má qualidade, por vezes, demora a ser identificado porque os sinais são subtis e facilmente atribuídos ao stress, ao ritmo de vida ou à idade.
Acordar cansado, sentir sonolência ou ter necessidade de tomar mais cafés para manter a concentração no trabalho, são sintomas desvalorizados e passam a fazer parte do “funcionar habitual”.
Além disso, quem dorme mal nem sempre percebe o que acontece durante a noite, e muitas vezes o ressonar e as pausas respiratórias só são notadas por terceiros, podendo gerar tensões nos casais.
Reconhecer estes sinais como um problema de sono é o passo mais importante para procurar ajuda e quebrar o ciclo do sono de má qualidade.
Quando procurar ajuda em consulta de Sono?
Dormir mal de forma regular não é normal e não deve ser ignorado.
A boa notícia? A maioria das perturbações do sono tem diagnóstico e tratamento. Uma Consulta de Sono permite identificar causas, orientar exames quando necessário (como estudo do sono) e oferecer tratamento.
Procurar ajuda com um especialista em Medicina do Sono pode fazer sentido nas seguintes situações:
- Sonolência diurna excessiva – se for persistente e afetar o desempenho, o humor ou a segurança (como, por exemplo, adormecer ao volante)
- Suspeita de apneia do sono (ressonar frequente, pausas respiratórias no sono, engasgamentos ou acordar com sensação de asfixia)
- Insónia (dificuldade em adormecer, manter o sono ou acordar muito cedo)
- Despertares frequentes durante a noite ou sensação de sono leve ou pouco reparador
- Dor de cabeça matinal
- Comportamentos anormais durante o sono como falar, gritar, movimentos bruscos, comer ou episódios de sonambulismo
Sempre que existam doenças associadas a estas queixas (hipertensão arterial, diabetes, obesidade, doença cardíaca) esta avaliação deve ser ainda mais precoce.
Dormir bem é viver melhor — e pode começar já hoje!
Independentemente de se ter um distúrbio do sono, existem algumas regras de ouro que qualquer pessoa pode aplicar no seu dia-a-dia, para melhorar a qualidade do seu sono.
As recomendações da World Sleep Society assentam no princípio de que pequenas mudanças trazem grandes resultados – horários regulares, luz natural de manhã, atividade física regular, menos ecrãs à noite, evitar café 6h antes de ir dormir, quarto escuro e silencioso e usar a cama apenas para dormir e para a intimidade.
Por vezes dormir bem não exige fórmulas complexas, mas exige sempre disciplina e consistência diária.
Passamos um terço da nossa vida a dormir: garantir que esse tempo seja realmente reparador é investir em mais saúde e energia. Dormir bem é realmente viver melhor!