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Entender e gerir o stress: quando procurar ajuda se torna importante

publicado em 04 Nov. 2026

A época em que vivemos tem exigido um ritmo diário que parece aumentar a cada segundo. Seja pelos compromissos profissionais, responsabilidades familiares ou a presença constante de tecnologia, a palavra stress tornou-se uma presença constante no dia-dia do século XXI. Mas o que significa realmente estar stressado e quando é que esta reação considerada natural do nosso organismo ultrapassa o limite e se começa a tornar preocupante?

 

O stress não gerido pode ter um impacto muito significativo na vida do indivíduo, sendo que por isso tentar compreender o que acontece com o nosso corpo e com a nossa mente pode ser o primeiro passo para recuperar o equilíbrio.

 

 

O que é o Stress?

O stress é uma resposta natural do nosso organismo que se manifesta quando este se encontra perante situações encaradas como desafiantes, ameaçadoras ou exigentes.

 

Do ponto de vista evolutivo, esta resposta tem sido fundamental para a nossa sobrevivência ao longo dos tempos, sendo que ainda hoje nos ajuda a estar alerta e em nos focarmos nos desafios e preocupações do nosso dia-dia de uma maneira mais efetiva.

 

Esta ativação prepara o corpo provocando mudanças significativas, potenciando alterações como o aumento do ritmo cardíaco, da pressão arterial ou dos níveis de atenção, que se intensificam face a determinada ameaça ou preocupação. Quando a ameaça cessa, o organismo regressa naturalmente ao seu estado de equilíbrio.

 

Portanto, o facto de este mecanismo existir não é necessariamente mau, muito pelo contrário, uma vez que, em muitos momentos pode proteger-nos. No entanto, quando estes fatores que provocam stress persistem de forma continuada, o corpo pode ter dificuldade em desligar, passando assim de um stress dito natural para um stress continuado e que provocará desgaste se não for bem gerido.

 

 

Como identificar os sintomas?

O stress afeta cada pessoa de forma diferente, manifestando-se em variadas dimensões, sendo estes alguns exemplos:

 

Físicos: através do aumento da tensão muscular, dores de cabeça, palpitações, alterações no sono, problemas gastrointestinais ou fadiga constante.

 

Emocionais: por episódios de maior irritabilidade, sintomas de ansiedade, sensação de sobrecarga ou instabilidade emocional.

 

Cognitivos: manifestados por vezes em dificuldades de concentração, lapsos de memória, pensamentos ruminantes ou catastróficos assim como dificuldades na tomada de decisão.

 

Comportamentais: com episódios de isolamento social, alterações no apetite (em excesso ou falta de apetite), procrastinação ou o aumento do consumo de substâncias como álcool ou o tabaco.

 

 

Porque é importante procurar ajuda atempadamente

É frequente tentarmos “aguentar mais um pouco” ou desvalorizar os sinais que o corpo nos tenta transmitir. No entanto, ignorar as reações de stress pode levar a complicações mais graves, como episódios depressivos, perturbações da ansiedade, mas também problemas de saúde como são exemplo as doenças cardiovasculares, problemas gastrointestinais ou alterações no sistema imunitário.

 

Procurar atempadamente a orientação de um profissional de saúde torna-se assim importante, intervindo antes que o stress agudo progrida para um estado mais crónico e cumulativo. Para isso procurar ajuda contribui para a compreensão das causas subjacentes, identificando padrões que possam estar a alimentar um estado de tensão constante, assim como desenvolver estratégias que reestruturem os pensamentos que contribuam para esta sobrecarga, gerir emoções ou estabelecer limites saudáveis.

 

Compreender o stress implica reconhecer que nem toda a tensão é prejudicial, mas também que não devemos encarar o desgaste persistente como uma consequência inevitável da vida quotidiana. Mais do que tentar “aguentar”, importa prestar atenção ao que sentimos, aos sinais do corpo e à forma como as exigências diárias estão a afetar o nosso bem-estar. Gerir o stress não significa eliminar todos os desafios, mas sim encontrar formas de lhes responder sem perder de vista as nossas necessidades, mas também os nossos limites.

 

 

Referências

Camden and Islington NHS Foundation Trust. (s.d.-a). Stress and worry: Your self help guide.

Hampshire and Isle of Wight Health and Wellbeing Team. (s.d.). Managing stress toolkit.

International Labour Organization. (2016). Workplace stress: A collective challenge. https://www.ilo.org/publications/workplace-stress-collective-challenge

NHS Health Scotland. (2019). Steps to deal with stress: A simple guide to stressing less and enjoying life more.

Sirois, F. M. (2023). Procrastination and stress: A conceptual review of why context matters. International Journal of Environmental Research and Public Health, 20(6), Article 5031. https://doi.org/10.3390/ijerph20065031

World Health Organization. (2020). Doing what matters in times of stress: An illustrated guide. https://www.who.int/publications/i/item/9789240003927

World Health Organization. (2022b). World mental health report: Transforming mental health for all. https://www.who.int/publications/i/item/9789240049338

World Health Organization, Regional Office for the Eastern Mediterranean. (s.d.). Stress (WHO-EM/MNH/236/E).