A adolescência é uma fase do desenvolvimento marcada por profundas transformações cognitivas, emocionais e sociais.
A autoestima emerge como o resultado de uma interação contínua entre as características individuais e os múltiplos contextos de desenvolvimento, nomeadamente a família, a escola, o grupo de pares e as atividades extracurriculares. Trata-se de um processo dinâmico em que os adolescentes passam a integrar diferentes domínios do self — académico, social, físico e emocional — na construção da sua autoimagem. Esta construção irá depender da qualidade das experiências vivenciadas nos contextos em que estão inseridos, bem como do significado atribuído.
A influência dos contextos
A família continua a desempenhar um papel fundamental na adolescência. Relações familiares caracterizadas por apoio emocional, comunicação aberta e validação favorecem uma autoestima mais sólida e estável. A forma como os cuidadores reconhecem o esforço, toleram o erro e promovem a autonomia influencia diretamente a perceção de valor pessoal dos adolescentes. Em contraste, ambientes familiares marcados por crítica excessiva, rejeição emocional ou expectativas irrealistas estão associados a níveis mais baixos de autoestima.
O contexto escolar enquanto um dos principais contextos de socialização e avaliação, pode funcionar tanto como um fator de proteção como um fator de risco para a autoestima. O desempenho académico, a relação com professores e o clima escolar influenciam significativamente a forma como o adolescente se perceciona e avalia.
O grupo de pares assume um papel central durante a adolescência. A aceitação social, o sentimento de pertença e a qualidade das amizades tornam-se fontes privilegiadas de validação do self. A comparação social intensifica-se neste período, podendo afetar negativamente a autoestima quando os adolescentes constroem o seu valor e a forma como se veem com base em critérios externos, como popularidade ou aparência. Por outro lado, relações de amizade seguras e recíprocas, por outro lado, funcionam como um importante fator protetor.
As atividades extracurriculares constituem espaços privilegiados para a exploração de interesses, desenvolvimento de competências e a vivência de experiências de competência, funcionando como oportunidades de reconhecimento e pertença, favorecendo a autoestima e bem-estar psicológico durante a adolescência.
A família, a escola, os pares e as atividades extracurriculares não atuam de forma isolada, mas influenciam-se mutuamente, moldando a forma como os adolescentes se percecionam e valorizam.
Promover uma autoestima saudável e promotora de saúde mental ao longo do desenvolvimento não implica eliminar os desafios ou frustrações, mas criar contextos que ofereçam suporte emocional, experiências de competência e relações significativas!