Skip to main content

Varicela: o que é, sintomas e tratamento

publicado em 23 Set. 2024

O que é?

A varicela é uma infeção muito contagiosa que causa uma erupção cutânea muito característica, geralmente com comichão. Quase todas as crianças a apresentam antes da adolescência.

 

É causada pelo vírus varicela-zoster. Este vírus pode permanecer no corpo e, anos mais tarde, reativar e causar uma erupção cutânea dolorosa chamada herpes zoster (também conhecida por “zona”). Pode ser observada em qualquer época do ano, embora seja mais comum no inverno e na primavera.

Como se transmite?

A varicela transmite-se de pessoa para pessoa, através de:

 

  • Contacto direto, com as borbulhas ou objetos contaminados;
  • Gotículas de saliva (espirros, tosse ou fala).


Período de contágio
: desde 2 dias antes do início da erupção cutânea até todas as lesões se transformem em crostas (cerca de 1 semana).


Período de incubação
: varia de 10 a 21 dias.

Quais são os sintomas?

Para além da característica erupção da pele, pode existir:

 

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Mal-estar
  • Falta de apetite
  • Dor de garganta
  • Tosse
  • Muco nasal
  • Vómitos
  • Diarreia

 

A erupção da pele tem uma progressão típica: surgem pequenas manchas vermelhas (máculas) que evoluem, em horas, para borbulhas (pápulas), seguindo-se, por vários dias, a formação de pequenas bolhas com líquido (vesículas) que progridem para crostas. Geralmente existem lesões em diferentes fases.

 

Este aparecimento inicia-se no tronco, seguido da face e couro cabeludo, abdómen e região genital e finalmente nos braços/mãos e pernas/pés.

Quais são os sinais de alarme que indicam necessidade de reavaliação médica?

  • Febre alta e persistente
  • Lesões dolorosas, com halo vermelho grande, muito diferentes das restantes
  • Tosse intensa
  • Olhos vermelhos ou lesões muito próximas da zona de abertura do olho
  • Outros sintomas de mal-estar

 

Geralmente é uma doença benigna, com um curso auto-limitado. No entanto, podem ocorrer complicações, quer associadas a sobreinfeção bacteriana, quer do próprio vírus. Os adolescentes, adultos e imunocomprometidos são mais suscetíveis a complicações graves.

Qual o tratamento?

A criança ou adulto com suspeita de varicela deve ser observado o mais precocemente possível, para que toda a medicação necessária possa ser iniciada atempadamente.

 

Objetivos:

 

  • Diminuir o desconforto provocado pelos sintomas (comichão, febre, outros)
  • Desinfeção da pele para diminuir o risco de sobreinfeção bacteriana
  • Hidratação cutânea para ajudar no processo de cicatrização
  • Terapêutica dirigida ao vírus (se tiver critérios e sempre com aconselhamento médico)
  • Terapêutica para as complicações (se necessário e sempre com aconselhamento médico)

 

Para a comichão pode ser dado um anti-histamínico. Para a febre, apenas deve ser administrado paracetamol. Está contraindicada a medicação com ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios, pelo risco de complicações graves associadas.

 

A desinfeção e hidratação da pele podem ser feitas com produtos específicos em spray, para simplificar o processo de aplicação e limitar o desconforto provocado pela passagem das mãos na pele. Os banhos devem ser de curta duração, com água tépida e a secagem realizada com toques suaves.

 

Os antivíricos, como o aciclovir, são a terapêutica dirigida especificamente à doença, podendo limitar a sua duração e a probabilidade de complicações associadas. Nem todas as crianças necessitam deste tipo de tratamento, devendo sempre haver aconselhamento médico; quando há indicação para o fazer, deve ser iniciado até 72h a partir do início das lesões da pele, para que haja benefício.

 

É uma doença de isolamento obrigatório, durante pelo menos uma semana, sendo recomendado que a criança não frequente a escola ou outras atividades até todas as lesões estarem em fase de crosta (altura em que deixa de ser contagiosa).

 

Quando a criança volta às suas atividades normais, deve ser protegida da exposição solar, com protetor solar adequado à idade e com roupas frescas, que cubram a pele afetada, de forma a limitar a diferença de pigmentação que pode acontecer na pele em recuperação.

 

Existe vacinação?

Sim. É uma vacina que não está incluída no Programa Nacional de Vacinação, e em Portugal apenas é recomendada em grupos de risco:

 

  • Adolescentes
  • Mulheres não imunes antes da gravidez
  • Pais de crianças jovens, não imunizados
  • Adultos ou crianças que contactam habitualmente com doentes imunodeprimidos
  • Indivíduos não imunes em ocupações de alto risco (trabalhadores de creches e infantários, professores, profissionais de saúde)

 

No mês seguinte à imunização, pode haver erupção cutânea associada à vacina que, geralmente, é ligeira. Nesta situação, existe risco de transmissão do vírus, sendo recomendado evitar contacto com indivíduos suscetíveis de alto risco (imunocomprometidos, mulheres grávidas não imunes e recém-nascidos), durante um período de seis semanas após a vacinação.

 

A vacina também causa infeção persistente e pode causar “zona”, tal como a infeção pelo vírus.

 

Nos casos em que há dúvidas sobre a existência de infeção prévia, poderão ser determinados os anticorpos, previamente à vacinação.