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Dia Nacional do doente com AVC – 31 de março

publicado em 31 Mar. 2026

A 31 de março assinala-se a efeméride «Dia Nacional do Doente com AVC».

 

Mas, o que é o AVC? Quais os principais sintomas? Qual o impacto que pode ter no indivíduo?

 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma lesão neurológica aguda que ocorre quando existe uma perturbação do suprimento sanguíneo do cérebro.

 

Esta pode ocorrer por dois principais mecanismos (diferenciadores do tipo de AVC):  a hemorragia (AVC hemorrágico) – na qual ocorre rutura de vasos sanguíneos cerebrais e hemorragia; e a isquemia (AVC isquémico) – diminuição do fluxo sanguíneo por trombose, embolia ou baixa da perfusão sanguínea cerebral.

 

A mnemónica «Face, Fala e Força» é extremamente relevante como auxiliar de memória sobre os sinais/sintomas cardinais sugestivos do AVC.

 

A assimetria da face, comummente descrita como «ficar com a boca de lado» e/ou «ficar com uma pálpebra caída»; as alterações da fala (como a incapacidade em articular palavras ou ter uma linguagem incompreensível, não conseguir compreender o discurso, confusão súbita associada a discurso inadequado, …) e as alterações da força nos membros superiores e/ou inferiores de um lado do corpo (fraqueza ou paralisia), são sinais que, quando identificados, devem motivar procura imediata de observação médica em contexto de urgência (contactar o 112).

 

O AVC é, a nível global, a segunda maior causa de mortalidade e de incapacidade.

 

Por esse motivo, a prevenção é fundamental, tal como o reconhecimento precoce dos sinais que fazem suspeitar da ocorrência de um AVC.

 

Perante um caso suspeito, tal como no enfarte agudo do miocárdio, o tempo decorrente desde o início dos sintomas até à observação médica é um importante preditor do desfecho clínico.

 

O AVC pode causar importantes sequelas e até mesmo ser fatal. Ao garantirmos uma observação médica o mais precocemente possível, estamos a potenciar um desfecho mais favorável do que aquele que seria possível com uma procura de cuidados mais tardia.

 

Este desfecho poderá ditar um maior ou menor grau de incapacidade, assim como um maior ou menor potencial de reabilitação e, no extremo, ditar entre um desfecho fatal, ou não.

 

Tempo é cérebro! … e vida!

 

Sobreviventes de AVC têm de, frequentemente, viver com diversos graus de incapacidade que se podem repercutir: na capacidade de manter vida de relação, na qualidade de vida do doente (e também dos cuidadores), na necessidade de cuidados por terceira pessoa e na necessidade de realizar programas de reabilitação e de manter acompanhamento médico regular.

 

Estas situações representam um grande desafio na articulação entre o doente, os seus familiares/cuidadores e os serviços de saúde.

 

Além do reconhecimento precoce dos sinais cardinais do AVC, a ocorrência destes eventos pode ser prevenida pelo controlo de alguns fatores de risco.

 

A saber: manter a tensão arterial e os níveis de colesterol no sangue controlados; atingir o valor alvo para controlo metabólico em utentes com diabetes; promover a atividade física regular; promover uma dieta rica em legumes, frutas e pobre em sal e gorduras; cessação tabágica; manutenção de um peso adequado à estatura e a evicção de um consumo alcoólico nocivo ou abusivo, entre outros.

 

A minoração das sequelas e da mortalidade do AVC passa pela sensibilização social e por garantir uma cadeia de ação rápida entre a deteção dos sinais cardinais, a ativação da emergência médica/procura por observação em contexto de urgência e a avaliação e intervenção por parte da equipa médica.