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Nem só da pílula se faz a contraceção

publicado em 22 Mai. 2026

Os métodos contracetivos são todos aqueles utilizados com a finalidade de prevenir uma gravidez, podendo agrupar-se de múltiplas formas, nomeadamente consoante a validade da sua duração, o facto de serem métodos hormonais ou não, a possibilidade do uso durante a amamentação, o seu efeito na dismenorreia («dores menstruais»), enfim, de formas tão vastas quanto as semelhanças e diferenças existentes entre os diferentes métodos.

 

Tradicionalmente, as pílulas anti concecionais (pílulas hormonais combinadas (PHC) e pílulas só com progestativo (PP)) eram o método de eleição para a mulher, diferenciando-se pelo facto de que as PHC possuem na sua constituição estrogénios e progestativos.

 

Ambas demonstram semelhantes níveis de eficácia contracetiva e na melhoria da dismenorreia, porém diferem no facto das PP poderem ser utilizadas durante a amamentação e pelo seu efeito sobre a menstruação (a qual é regular com o uso das PHC e pouco frequente a escassa com as PP).

 

Para estas pílulas existem algumas indicações específicas que devem fazer recair a escolha sobre uma em detrimento da outra, sobretudo perante os antecedentes da mulher como por exemplo: sofrer de enxaqueca, acne, fatores de risco cardiovasculares, entre outras.

 

O adesivo hormonal transdérmico, o anel vaginal e o progestativo injetável são métodos alternativos às pílulas, devendo estes ser substituídos/novamente administrados, semanalmente, mensalmente e a cada 12 semanas, respetivamente.

 

Contudo, existem métodos de duração mais longa, que garantem efeito contracetivo durante anos, são o caso dos dispositivos intra uterinos de cobre (DIU), os sistemas intra uterinos com progestativo (SIU) e o implante progestativo subcutâneo (implante).

 

Tem-se verificado o crescente uso de métodos de longa duração, sobretudo no que concerne o implante e os SIU (que diferem do tradicional DIU pelo facto de serem impregnados com hormona).

 

O SIU, o DIU e o implante subcutâneo possuem a maior eficácia contracetiva (superior a 99%), já que são métodos que não dependem da utilizadora, o que elimina o risco de esquecimentos ou de incorreta adesão terapêutica.

 

O uso do DIU é normalmente reservado para mulheres com condições de saúde específicas que motivam a evicção de terapêutica hormonal, mas o SIU e o implante têm sido amplamente usados, sendo estes dois aqueles com maior percentagem de continuidade de utilização e de satisfação das utilizadoras.

 

O SIU e o implante possuem a vantagem de poderem ser utilizados durante a amamentação e de melhorarem as dores menstruais.

 

Quanto à duração do uso destes sistemas, existem SIU com aprovação para utilização entre 3 e 5 anos e o implante está aprovado para ser usado durante 3 anos (ainda que existam estudos referindo que a eficácia anticoncecional com os SIU e o implante se possa manter por períodos mais prolongados); no caso dos DIU de cobre, a sua validade é de 10 anos.

 

Os SIU e o implante tendem a tornar a menstruação pouco frequente e escassa (tal como com a PP), o que é visto como uma mais-valia para muitas mulheres.

 

Após a suspensão dos métodos de longa duração, o retorno à fertilidade é imediato, sendo a eficácia e a segurança, a comodidade e a validade prolongada, fortes motivos pelos quais as mulheres têm optado cada vez mais por estes contracetivos.

 

Todos estes métodos são disponibilizados gratuitamente através do Serviço Nacional de Saúde e o(a) seu(sua) Médico(a) ou Enfermeiro(a) de Família podem esclarecê-la quanto ao método que mais se adequa às suas preferências e especificidades, nomeadamente em contexto de consulta de Planeamento Familiar.

 

E claro, é sempre importante recordar que apenas o preservativo garante a proteção contra infeções sexualmente transmissíveis (e que por isso é fortemente recomendado em conjunto com os demais métodos).

 

Por isso, recorde-se, nem só da pílula se faz a contraceção.