Realizada entre 16 e 18 de setembro, no Trofa Saúde Gaia, a segunda edição das Jornadas integrou dois workshops práticos e um programa científico dedicado aos principais desafios e avanços da Medicina Física e de Reabilitação
O Trofa Saúde Gaia recebeu, entre 16 e 18 de setembro, as II Jornadas de Medicina Física e de Reabilitação.
Promovida pela Trofa Saúde Academia, a iniciativa reuniu profissionais de diferentes áreas para três dias de formação, atualização científica e partilha de conhecimento.
O programa percorreu várias dimensões da especialidade, desde a reabilitação cardiorrespiratória e neurológica até à saúde pélvica, tratamento da dor, medicina regenerativa, obesidade, sarcopenia, exercício e prevenção de lesões.

Formação prática abriu o programa
As Jornadas começaram, a 16 de setembro, com o workshop “Saúde e Performance”, conduzido pelo Dr. Lorenzo Lusvardi e pelo Tp. Rui Santos, Head of Performance do FC Famalicão.
Tp. Lorenzo Lusvardi |
Tp. Rui Santos |
A sessão abordou a Restrição de Fluxo Sanguíneo (BFR), a avaliação isométrica e isocinética, o treino pneumático e a avaliação da potência. A componente prática permitiu o contacto com diferentes equipamentos e metodologias aplicáveis à reabilitação e à performance.

Na manhã de 17 de setembro, o TP. Lorenzo Lusvardi conduziu o workshop “Técnico Avançado”, dedicado à neuromodulação não invasiva, Medkey e tecnologia TECAR. A aplicação destas ferramentas no tratamento da dor e das patologias musculoesqueléticas esteve no centro da formação.
Da reabilitação cardiorrespiratória à neuroreabilitação

O programa científico teve início na tarde de 17 de setembro com a mesa “Da Unidade de Cuidados Intensivos à comunidade: o futuro da reabilitação cardiorrespiratória”. Moderada pelo Prof. Doutor José Afonso Rocha, a sessão contou com a participação do Dr. Pedro Cubelo Pereira, da Dr.ª Ana Margarida Ribeiro e do Dr. Rui Santos.
A discussão centrou-se na recuperação funcional e respiratória após os Cuidados Intensivos, bem como na importância da continuidade da reabilitação na comunidade.
Seguiu-se a mesa “Cérebro e movimento: reabilitar sistemas, não órgãos”, moderada pela Dr.ª Vanessa Roque.
A Dr.ª Ana Santos Pinto analisou o papel da estimulação magnética transcraniana na reabilitação pós-AVC. O Dr. Gustavo Beça abordou a articulação entre a Medicina Física e de Reabilitação e a Farmacologia, enquanto a Prof.ª Doutora Maria João Andrade destacou a intervenção da especialidade na abordagem à bexiga neurogénica.

Saúde pélvica e inovação terapêutica em destaque
A inovação tecnológica esteve também no centro da mesa “A nova Medicina Física e de Reabilitação: tecnologia, precisão e resultados”, moderada pelo Dr. Vítor Ribeiro.
O Dr. Nuno Silva analisou a evolução do tratamento da dor na especialidade. O Dr. André Ribeiro abordou a medicina guiada por imagem, desde o diagnóstico até à intervenção.
O Dr. José Brochado apresentou o papel do Plasma Rico em Plaquetas e dos fatores de crescimento na medicina regenerativa, enquanto o Tp. Hugo Manso destacou o contributo da Fisioterapia para a prevenção de lesões incapacitantes.

A sessão refletiu a evolução para uma Medicina Física e de Reabilitação mais diferenciada, precisa e orientada para os resultados funcionais.
Obesidade, sarcopenia e fragilidade exigem uma avaliação integrada
Durante a tarde, a mesa “Obesidade, sarcopenia e fragilidade: a tríade que define o futuro” colocou em discussão os limites da avaliação da saúde baseada apenas no peso.
Moderada pelo Dr. Diogo Cruz, a sessão reuniu a Dr.ª Inês Ferro, o Dr. João Moutinho, o Dr. Manuel Mendes Gomes e a Tp.ª Maria Gomes.

O exercício prescrito e monitorizado, a função muscular, o metabolismo, a alimentação e a composição corporal estiveram entre os temas abordados. A discussão reforçou a necessidade de integrar estes diferentes indicadores na avaliação e acompanhamento de pessoas com obesidade, sarcopenia ou fragilidade.
Encerramento centrado na prevenção e na função ao longo da vida
O programa científico terminou com a mesa “Função ao longo da vida: do tratamento à prevenção à performance”, moderada pelo Dr. João Barroso.
Com intervenções do Dr. Afonso Granja, do Dr. Jorge Rocha Melo e do Dr. Diogo Fonseca, a sessão abordou a prevenção, a longevidade funcional, o exercício, a saúde óssea e a manutenção da função nas diferentes fases da vida.

Ao longo de três dias, as II Jornadas de Medicina Física e de Reabilitação promoveram uma visão abrangente da especialidade, desde a recuperação após a doença ou lesão até à prevenção, à performance e à preservação da autonomia.
Um encerramento centrado na função ao longo da vida