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O meu filho é baixo. Quando é que isso é um sinal de alerta?

publicado em 21 Set. 2026

Quando uma criança apresenta uma quebra na velocidade de crescimento ou deixa de crescer, a primeira e mais importante medida é marcar uma consulta com o médico de medicina geral e familiar, com o pediatra ou com um endocrinopediatra (endocrinologista infantil). A desaceleração abrupta do crescimento é um sinal de alerta que requer investigação médica, em qualquer idade.

 

 

Existem muitas causas que podem estar na origem de um quadro de baixa estatura e/ou de quebra da velocidade de crescimento, e a maior parte delas pode não ser endócrina, mas antes estar relacionada com doenças crónicas não controladas ou não diagnosticadas (doenças cardíacas, pulmonares, renais, intestinais), doenças genéticas (síndrome de Turner, síndrome de Down, displasias ósseas) ou causas nutricionais e ambientais.

É sempre falta de hormona de crescimento?

Ao contrário da crença popular, a baixa estatura por défice de hormona de crescimento é uma causa rara. O hipotiroidismo é uma causa mais frequente e menos conhecida.

O que acontece na primeira consulta?

  1. Confirmação dos dados antropométricos (peso e altura)

 

  • Revisão das medições anteriores: o médico recolhe os registos antigos de peso e altura ou avalia a curva de crescimento da criança, caso exista, para verificar a evolução da curva de crescimento atual.
  • Avaliação da velocidade de crescimento: o crescimento é avaliado em centímetros por ano. As crianças, dos 3 anos até ao início da puberdade, costumam crescer pelo menos 5 cm a 6 cm por ano. Um valor abaixo de 4 cm por ano pode indicar um abrandamento patológico do crescimento.

 

 

  1. Anamnese — avaliação da história clínica

 

O médico investiga o historial da criança à procura de pistas sobre a causa do problema:

 

  • Sintomas sistémicos: aumento ou perda de peso, alterações dos hábitos intestinais, dores abdominais, cansaço excessivo, falta de ar
  • Historial alimentar e psicossocial: avaliação de carências nutricionais ou de situações de stress emocional grave
  • Toma de medicamentos: verificação da toma continuada de medicamentos que possam interferir no crescimento ou na puberdade

 

 

  1. Exames e análises iniciais de rastreio

 

Para distinguir causas hormonais de não hormonais, é habitual pedir um conjunto inicial de exames:

 

  • Idade óssea (radiografia das mãos e punhos): para avaliar se a idade óssea está atrasada ou avançada em relação à idade cronológica
  • Análises clínicas gerais e hormonais: para avaliar doenças renais, hepáticas, doenças intestinais, problemas da tiroide, da hipófise e das suprarrenais

Posso dar-lhe vitaminas ou estimulantes do apetite?

Importa sublinhar que a família não deve medicar a criança por iniciativa própria. A toma de suplementos alimentares, estimulantes do apetite ou vitaminas sem indicação médica não resolve a causa de base e pode atrasar o diagnóstico.

Vale a pena esperar para ver se ele cresce mais tarde?

Quanto mais cedo a criança for avaliada, melhor. Se for identificada uma causa patológica para a baixa estatura e iniciado tratamento de forma precoce, maior é a probabilidade de a criança atingir uma melhor estatura final.

O que devo levar à consulta?

Reunir o historial médico da criança — o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, a curva de crescimento ou quaisquer registos antigos de peso e altura — contribui para uma avaliação correta da situação do crescimento.

Até que idade é que as crianças crescem?

Vale a pena lembrar que, em Portugal, as crianças não crescem até aos 18 anos, sobretudo no caso das raparigas, uma vez que a menarca (primeira menstruação) ocorre, em média, aos 12 anos. Cerca de dois anos depois da menarca, já atingiram a estatura final. Infelizmente, muitos pais trazem as crianças para uma primeira avaliação nesta altura, quando já não há nada a fazer.