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Envelhecimento Normativo vs Perturbação Neurocognitiva Ligeira

publicado em 04 Fev. 2026

Ao longo da vida, o cérebro humano sofre modificações estruturais e físicas que são intensificadas pelo processo de envelhecimento.

 

A partir dos 40 anos, verifica-se uma redução gradual do volume e do peso cerebral associada à perda de neurónios e de neurotransmissores, bem como alterações nas ligações neuronais (Borba-Pinheiro, C. J. et al., 2017).

O que acontece no processo de envelhecimento normal?

  • Processamento de informação mais lentificado;
  • Maior dificuldade em aprender grandes quantidades de informação nova;
  • Redução da capacidade para reter e manipular informação por curtos períodos de tempo (por exemplo, memorizar números de telemóvel);
  • Maior tendência para esquecer planos futuros, levando à necessidade de anotar, por exemplo, datas de consultas, marcações…;
  • Maior dificuldade na resolução de problemas que exigem a integração de muita informação.

 

Ou seja, o envelhecimento saudável pode ser acompanhado por maiores dificuldades na realização de determinadas tarefas do dia a dia, no entanto, estas não limitam a sua execução autónoma e relativamente eficiente.

Quando é que as dificuldades cognitivas se tornam uma preocupação?

Quando representam um declínio significativo, em relação ao funcionamento anterior da pessoa, e quando interferem de forma clara na sua vida pessoal, social ou profissional.

 

É neste contexto que surge a Perturbação Neurocognitiva Ligeira, também conhecida como Défice Cognitivo Ligeiro.

 

Como se caracteriza a Perturbação Neurocognitiva Ligeira?

 

Nestes quadros, observa-se um declínio cognitivo modesto (relativamente ao nível de funcionamento prévio) em um ou mais dos seguintes domínios:  atenção, memória, funcionamento executivo, aprendizagem, linguagem, capacidade percetivomotora e cognição social (APA, 2013).

Contudo, este declínio não interfere na realização independente das atividades de vida diária (e.g., condução, gestão financeira, gestão medicamentosa…).

Porque é importante a deteção precoce?

Embora estas alterações não comprometam a autonomia na realização das atividades de vida diária, a Perturbação Neurocognitiva Ligeira é considerada um possível precursor de demência.

 

Quando não detetada e acompanhada atempadamente, o risco de progressão para um quadro demencial pode atingir até 15% por ano (Li et al., 2024).

 

Neste contexto, a avaliação neuropsicológica, realizada em consulta de neuropsicologia, assume um papel fundamental, permitindo identificar dificuldades específicas e orientar intervenções ajustadas às necessidades de cada indivíduo.