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Tonturas: “Cristais”… mas não só!

publicado em 25 Nov. 2023

A tontura é uma queixa extremamente frequente na população em geral e é transversal às diversas faixas etárias. Frequentemente (e bem!), o doente recorre a consultas de Otorrinolaringologia ou ao Serviço de Urgência.

 

É comum associar-se este sintoma aos “cristais” – vertigem paroxística posicional benigna, o que não deixa de ter lógica, dado tratar-se da causa mais frequente de vertigem. Vertigem e tontura não são, exatamente, o mesmo; a primeira corresponde à sensação de tudo a girar à nossa volta. A tontura pode ser uma vertigem, embora nem sempre…

Se falamos em vertigem, do ponto de vista da Otorrinolaringologia, temos de pensar no ouvido interno e, necessariamente, nos “cristais”. Sendo feito esse diagnóstico, a intervenção de Otorrinolaringologia não se resumirá às manobras de reposicionamento (“colocar os cristais no sítio”).

 

De facto, algumas patologias intrínsecas aos ouvidos internos podem levar à deslocação dos referidos “cristais”, justificando episódios repetidos desse problema. Assim, a realização de exames audiológicos e vestibulares poderá ser uma ferramenta útil para evitar a recorrência de uma situação que acarreta, muitas vezes, uma enorme limitação às atividades do quotidiano. No entanto, poderá não haver qualquer doença dos ouvidos internos e, mesmo assim, estes serem os causadores da vertigem. Como? Se houver compressão dos vasos sanguíneos que lhes fornecem o oxigénio necessário para que funcionem corretamente. Esses vasos sanguíneos têm parte do seu trajeto no pescoço, pelo que é importante despistar eventuais contraturas ou rigidez dos músculos dessa região. Mesmo que não haja alteração do posicionamento dos “cristais”, também neste tipo de vertigem a tontura é agravada pelos movimentos do pescoço.

Não se resumem ao ouvido interno, porém, as tonturas que são alvo terapêutico da Otorrinolaringologia. Numa rinossinusite aguda, essa queixa também pode estar presente e, tal como nos quadros referidos anteriormente, a tontura está relacionada com os movimentos do pescoço. Não é raro que a descrição feita pelo doente seja muito semelhante à da vertigem provocada pelos “cristais”. Com efeito, não é fácil, para o próprio doente, saber distinguir entre vertigem (com sensação rotatória) e outras formas de tontura (onde pode estar presente uma sensação de visão turva). Além disso, em ambos os casos, os sintomas mais impactantes podem ser náuseas e/ou vómitos. Contrariamente ao que acontece, por exemplo, na vertigem paroxística posicional benigna, o tratamento de uma rinossinusite aguda pode envolver a necessidade de prescrição de um antibiótico. O recurso atempado à consulta ou à urgência é fundamental para prevenir que, no limite, se desenvolva uma pneumonia ou uma meningite.

Em suma, todas as vertigens são tonturas, mas nem todas as tonturas são vertigens. Nas duas situações, há uma variedade de patologias que pertencem ao âmbito da Otorrinolaringologia, pelo que é essencial uma avaliação pela especialidade.