Cancro em adultos jovens: estaremos a chegar tarde demais?
Durante muitos anos, o cancro foi considerado sobretudo uma doença associada ao envelhecimento. Embora essa ideia continue a ser verdadeira na maioria dos casos, a realidade atual mostra uma mudança importante: alguns tipos de cancro estão a surgir cada vez mais cedo.
Este fenómeno tem sido observado em vários países europeus e levanta um desafio importante: a tendência para atrasar a suspeição diagnóstica quando a idade parece “demasiado baixa” para determinadas doenças oncológicas.
Nesta Semana Europeia de Luta Contra o Cancro, entre 25 e 31 de maio, reforça-se a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
O que é o cancro em adultos jovens?
Independentemente da idade, existem sinais de alerta que devem motivar avaliação médica. O ponto crítico não é apenas reconhecer o sintoma, mas também compreender que diferentes sintomas podem corresponder a diferentes localizações de doença oncológica.
O termo refere-se ao aparecimento de doenças oncológicas em pessoas com menos de 50 anos. Alguns dos tumores em crescimento nesta faixa etária incluem o cancro colorretal, o cancro da mama e outros cancros do aparelho digestivo.
Quais podem ser as causas?
As causas nem sempre são totalmente conhecidas, mas vários fatores podem contribuir para este aumento:
- Alimentação desequilibrada
- Sedentarismo e obesidade
- Consumo de álcool e tabaco
- Alterações do sono e stress crónico
- História familiar de doença oncológica
- Fatores genéticos e ambientais
Em muitos casos, o cancro surge sem fatores de risco evidentes, o que reforça a importância da vigilância clínica e da valorização dos sintomas.
Que sintomas devem ser valorizados?
Independentemente da idade, existem sinais de alerta que devem motivar avaliação médica.
No cancro colorretal, sintomas como alterações persistentes do trânsito intestinal, sangue nas fezes, anemia inexplicada, dor abdominal ou perda de peso podem ser sinais importantes.
No cancro do estômago e do intestino delgado, os sintomas são frequentemente mais inespecíficos, incluindo cansaço progressivo, anemia, enfartamento e vómitos após as refeições, perda de peso inexplicada.
No cancro da mama, devem ser valorizados sinais como corrimento mamilar anormal, massa palpável, alterações da forma da mama e repuxamento da pele ou do mamilo.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico depende dos sintomas e da localização suspeita da doença. O principal desafio continua a ser reconhecer precocemente os sinais de alerta, evitando atrasos na investigação diagnóstica em pessoas jovens.
Que rastreios existem em Portugal?
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde recomenda programas de rastreio organizados para os grupos etários com maior risco:
- Cancro da mama: entre os 45 e os 74 anos, através de mamografia
- Cancro colorretal: entre os 50 e os 74 anos, através de pesquisa de sangue oculto nas fezes e, quando indicado, colonoscopia
Estes programas permitem diagnosticar muitos casos em fases iniciais, aumentando a probabilidade de tratamento eficaz.
Contudo, os rastreios não substituem a avaliação médica quando existem sintomas.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento depende do tipo de cancro e da fase em que é diagnosticado. As principais abordagens incluem cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior tende a ser a eficácia do tratamento.
É possível prevenir?
Nem todos os casos podem ser prevenidos, mas existem medidas que ajudam a reduzir o risco:
- Alimentação equilibrada e exercício físico regular
- Controlo do peso
- Redução do consumo de álcool e tabaco
- Participar nos programas de rastreio recomendados
- Procurar avaliação médica perante sintomas persistentes
Uma mensagem final
O aumento do cancro em adultos jovens deve reforçar a atenção aos sinais de alerta e à importância do diagnóstico precoce. O rastreio salva vidas, mas a suspeição clínica não pode ter idade.
Perante sintomas persistentes ou alterações sem explicação clara deve ser procurada avaliação por um cirurgião geral, porque o tempo entre o sintoma e o diagnóstico pode ser decisivo.