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Nem todo o peso perdido é uma vitória: quando emagrecer é perder músculo

publicado em 13 Out. 2026

A alimentação desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde ao longo da vida. Importa, contudo, considerar que as necessidades nutricionais podem alterar-se com a idade, com determinadas patologias ou com mudanças no estilo de vida. Quando a alimentação não fornece energia e nutrientes suficientes para responder às necessidades do organismo, pode surgir desnutrição.

 

 

Uma pessoa pode apresentar um peso considerado normal ou até estar com excesso de peso e, ainda assim, estar desnutrida – carência em micro e macronutrientes. É aqui que a massa muscular se apresenta como fator relevante. Além da sua quantidade, interessa a função muscular, se esta é mantida ou se há perda de função. Neste contexto, a sarcopenia, caracterizada principalmente pela diminuição da força muscular, que pode comprometer a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida, assume uma particularidade importante.

O que é a desnutrição e a sarcopenia?

A desnutrição ocorre quando existe uma ingestão inadequada de energia e/ou nutrientes, como proteína, vitaminas e minerais, durante um período prolongado. Esta situação pode comprometer o normal funcionamento do organismo e dificultar a manutenção da massa muscular.

 

 

Com o avançar da idade, a diminuição do apetite é um fator particularmente relevante. Alterações do paladar e do olfato, dificuldades na mastigação ou deglutição, isolamento social, determinadas patologias ou a utilização de alguns medicamentos podem contribuir para uma menor ingestão alimentar e, consequentemente, para o aumento do risco de desnutrição.

 

 

Por isso, é importante compreender que o peso corporal, por si só, não permite avaliar adequadamente o estado nutricional, nem a quantidade de músculo de uma pessoa.

 

 

A sarcopenia distingue-se da desnutrição porque, além da redução da massa muscular, há perda da força muscular, ou seja, perda de função. Esta perda pode comprometer a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida. Embora seja mais frequente com o avançar da idade (acima dos 60 anos), dada a redução progressiva da massa muscular, a sarcopenia pode também desenvolver-se em idades mais precoces (30 a 35 anos), particularmente na presença de fatores que favoreçam a perda de massa e função muscular.

Qual é a relação entre a desnutrição e a sarcopenia?

A desnutrição e a sarcopenia estão fortemente relacionadas e podem contribuir para o agravamento mútuo de ambas as condições.

 

 

A evidência científica demonstra uma associação entre desnutrição e maior probabilidade de sarcopenia. Quando estas duas condições coexistem, estão associadas a consequências clínicas mais desfavoráveis, incluindo um maior risco de mortalidade.

 

 

Por isso, avaliar apenas o peso corporal pode não ser suficiente. É importante considerar também a composição corporal, a força muscular, o desempenho físico e a ingestão alimentar permitindo identificar precocemente pessoas mais vulneráveis e orientar uma intervenção nutricional e funcional adequada.

Quais são as causas?

Na desnutrição, alguns fatores podem contribuir para uma menor ingestão alimentar, nomeadamente:

  • diminuição do apetite;
  • alterações do paladar e do olfato;
  • dificuldades na mastigação ou deglutição;
  • isolamento social;
  • determinadas patologias;
  • utilização de alguns medicamentos.

 

 

Já a perda de massa e função muscular pode estar relacionada com:

  • baixa atividade física ou períodos prolongados de imobilização;
  • ingestão inadequada de energia e proteína;
  • doenças crónicas, como doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, respiratórias, metabólicas ou reumatológicas, doença renal e cancro.

 

 

No caso da sarcopenia, além dos fatores acima mencionados, a baixa atividade física ou períodos prolongados de imobilização, ingestão inadequada de energia e proteína e a existência de doenças crónicas, como doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, respiratórias, entre outras, são também fatores preponderantes.

 

 

Estas duas condições interagem mutuamente: uma ingestão insuficiente de energia e, em particular, de proteína pode comprometer a síntese e a manutenção das proteínas, favorecendo a perda de massa muscular e força. Por outro lado, a perda de massa e função muscular pode conduzir a uma redução da atividade física, maior dependência e dificuldade na realização das atividades do quotidiano, contribuindo para o agravamento do estado nutricional.

 

 

Para além do impacto na força e na mobilidade, a sarcopenia está também associada a um maior risco de quedas, incapacidade física, hospitalização e mortalidade.

Quais são os sintomas ou sinais de alerta?

Alguns sinais podem justificar uma avaliação mais aprofundada, sobretudo quando surgem de forma progressiva ou em conjunto:

  • perda de peso involuntária;
  • diminuição do apetite;
  • comer menos do que o habitual;
  • perda de força;
  • dificuldade em levantar-se de uma cadeira;
  • maior dificuldade em subir escadas;
  • redução da capacidade física;
  • cansaço persistente;
  • perda de massa muscular;
  • maior dificuldade na realização das atividades do dia a dia.

 

 

Estes sinais não significam necessariamente que exista desnutrição ou sarcopenia, mas não devem ser ignorados.

Como é feito o diagnóstico?

O peso corporal e o índice de massa corporal (IMC), por si só, não são suficientes para avaliar o estado nutricional ou a quantidade de músculo de uma pessoa.

 

 

É importante considerar diferentes aspetos, como:

  • composição corporal;
  • força muscular;
  • capacidade motora;
  • desempenho físico;
  • ingestão alimentar.

 

 

Uma avaliação e um diagnóstico global permitem identificar mais precocemente pessoas em risco e promover uma intervenção adequada. Neste processo, o nutricionista tem um papel fundamental na identificação e intervenção perante situações de risco de desnutrição e de perda de massa muscular.

Como é feito o tratamento?

A alimentação desempenha um papel importante na manutenção da massa muscular, fornecendo energia e nutrientes necessários para o funcionamento e a recuperação do tecido muscular.

 

 

Garantir uma ingestão proteica adequada às necessidades individuais é fundamental para prevenir a desnutrição e a sarcopenia, promovendo uma melhor qualidade de vida a longo prazo.

 

 

Na verdade, é necessário um trabalho multidisciplinar entre a alimentação, nomeadamente ingestão proteica adequada e o estímulo físico, através do treino de força.

 

 

As necessidades podem ser atingidas através de uma alimentação variada, recorrendo a alimentos como:

  • Proteína de origem animal: carne, peixe, ovos e leite e derivados;
  • Proteína de origem vegetal: leguminosas, soja e derivados, como tofu, tempeh e seitan.

Como podemos prevenir?

A perda de massa e força muscular não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento.

 

 

Uma alimentação adequada, com energia e proteína suficiente, associada à prática regular de exercício, particularmente de força, pode contribuir para preservar a massa muscular e a sua função ao longo da vida.

 

 

Estar atento a sinais como perda de peso involuntária, diminuição do apetite ou perda de força e procurar acompanhamento profissional quando necessário são medidas importantes para preservar a autonomia e a qualidade de vida.

 

 

Perder peso nem sempre significa perder apenas gordura. Quando também se perde músculo, pode estar a perder-se saúde, autonomia e qualidade de vida.

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