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Dia Mundial Sem Tabaco – Novas formas de consumo e desafios para a saúde

publicado em 31 Mai. 2026

Todos os anos, o Dia Mundial Sem Tabaco, que se celebra a 31 de maio, convida-nos a refletir sobre uma das maiores ameaças evitáveis à saúde pública: o consumo de tabaco e nicotina. Durante décadas, a luta centrou-se no cigarro convencional e nos seus efeitos devastadores sobre a saúde. Hoje, o desafio tornou-se mais complexo. O tabaco e a nicotina apresentam-se sob novas formas, mais apelativas, mais tecnológicas e, muitas vezes, erradamente percecionadas como inofensivas.

 

Apesar da redução do consumo de cigarros convencionais em vários países, tem-se verificado um crescimento preocupante de novas formas de consumo de nicotina e tabaco, particularmente entre os mais jovens. Muitos adolescentes e jovens adultos iniciam o consumo de nicotina através destes dispositivos, sem contacto prévio com o cigarro tradicional.

Os cigarros eletrónicos, os dispositivos de tabaco aquecido e as bolsas de nicotina ganharam popularidade nos últimos anos. A ausência de fumo, os aromas atrativos, o design tecnológico e as estratégias de marketing cuidadosamente desenvolvidas têm contribuído para a perceção de que estes produtos constituem alternativas seguras ao cigarro convencional ou que podem ser usados como simples acessórios de moda. Esta realidade é particularmente preocupante quando as campanhas promocionais e a apresentação destes produtos são claramente direcionadas para públicos mais jovens. Contudo, a evidência científica demonstra que estes produtos não são isentos de riscos.

 

Os cigarros eletrónicos produzem aerossóis que podem conter nicotina, substâncias irritantes, metais pesados e outros compostos potencialmente tóxicos. Os dispositivos de tabaco aquecido aquecem o tabaco sem combustão, reduzindo a produção de algumas substâncias tóxicas presentes no fumo do cigarro convencional, mas continuam a libertar nicotina e outros compostos nocivos.

 

Embora alguns destes dispositivos possam expor o utilizador a níveis inferiores de determinadas substâncias quando comparados com o cigarro convencional, continuam a conter nicotina uma substância altamente aditiva e a libertar compostos com impacto na saúde a médio e longo prazo, incluindo inflamação das vias aéreas, alterações da função pulmonar, efeitos cardiovasculares adversos e desenvolvimento de dependência.

Enquanto pneumologista, preocupa-me particularmente o crescente consumo destes produtos entre adolescentes e jovens adultos. Muitos nunca teriam iniciado o consumo de tabaco convencional, mas experimentam os novos dispositivos por curiosidade, influência social ou pela falsa perceção de que não comportam riscos. O resultado é uma nova geração exposta à dependência da nicotina e às suas consequências para a saúde.

 

A evidência científica atual é clara: não existe uma forma segura de consumir produtos com nicotina. A melhor escolha para a saúde é não iniciar o consumo ou, no caso dos fumadores, procurar apoio especializado para a cessação tabágica.

 

Neste Dia Mundial Sem Tabaco, importa reforçar a necessidade de combater a desinformação e promover decisões informadas. A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz para proteger a saúde das gerações atuais e futuras. Não iniciar o consumo de produtos de tabaco ou nicotina e procurar apoio especializado para a cessação tabágica continuam a ser as melhores escolhas para a saúde.