Skip to main content

Divertículos do cólon: o que são e quando podem complicar

publicado em 21 Jul. 2026

O que é?

Os divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do cólon (vulgarmente conhecido por intestino grosso) sobretudo no cólon sigmoide, localizado na região inferior esquerda do abdómen.

 

A presença de divertículos chama-se diverticulose. É uma situação frequente, especialmente com o aumento da idade sendo assintomática. Utiliza-se o termo doença diverticular quando os divertículos estão associados a sintomas. A diverticulite ocorre quando um ou mais divertículos ficam inflamados.

Causa

A causa exata não é totalmente conhecida. A formação de divertículos parece resultar da combinação entre alterações da parede do cólon, aumento da pressão no interior do intestino, envelhecimento e fatores genéticos e ambientais.

 

Alguns fatores associados a maior risco incluem:

 

  • Idade
  • Excesso de peso e obesidade
  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Alimentação pobre em fibras e rica em carne vermelha
  • Utilização frequente de anti-inflamatórios, como ibuprofeno ou diclofenac
  • História familiar de doença diverticular

 

Ter divertículos não significa que ocorrerá necessariamente uma diverticulite. A maioria das pessoas permanece assintomática durante toda a vida.

Sintomas

A diverticulose, por si só, não costuma causar sintomas.

 

Na diverticulite aguda, os sintomas mais frequentes são:

 

  • Dor abdominal persistente, geralmente na região inferior esquerda
  • Febre
  • Náuseas ou vómitos
  • Alteração do trânsito intestinal
  • Sensibilidade abdominal
  • Perda de apetite

 

Em alguns casos, a doença pode provocar hemorragia intestinal, geralmente indolor, com eliminação de sangue vermelho ou escuro pelas fezes.

Diagnóstico

O diagnóstico começa pela avaliação dos sintomas, exame físico e análises sanguíneas.

 

Perante suspeita de diverticulite aguda, a tomografia computorizada abdominal é o exame mais útil para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e identificar complicações.

 

A colonoscopia não é geralmente realizada durante a fase aguda, devido ao risco de complicações e ao desconforto. Pode ser recomendada depois da recuperação, sobretudo após uma diverticulite complicada, quando não existe uma colonoscopia recente ou quando permanecem dúvidas sobre o diagnóstico.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade da doença, da existência de complicações e das condições gerais da pessoa.

 

  • Diverticulose sem sintomas: não necessita de tratamento específico. Recomenda-se um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, atividade física e controlo do peso.
  • Doença diverticular sintomática: quando existem sintomas persistentes, é importante excluir outras causas. O tratamento pode incluir ajustes alimentares, aumento gradual da ingestão de fibra e medicamentos dirigidos aos sintomas.
  • Diverticulite não complicada: muitos casos ligeiros podem ser tratados em casa, com: Controlo da dor; Hidratação; Alimentação adaptada à tolerância; Antibióticos em casos selecionados
  • Diverticulite complicada: pode exigir internamento hospitalar, antibióticos intravenosos e drenagem de abcessos.

 

A cirurgia urgente pode ser necessária quando existe perfuração, peritonite, obstrução intestinal, ausência de resposta ao tratamento ou instabilidade clínica.

 

A cirurgia programada pode ser considerada quando existem complicações, como fístulas ou estreitamentos, ou quando episódios recorrentes afetam significativamente a qualidade de vida. A decisão não deve basear-se apenas no número de episódios, devendo ser individualizada.

Prevenção

Não é possível prevenir todos os casos, mas algumas medidas podem reduzir o risco de diverticulite:

 

  • Manter um peso saudável
  • Praticar exercício físico regularmente
  • Não fumar
  • Privilegiar fruta, legumes, leguminosas e cereais integrais
  • Reduzir o consumo excessivo de carne vermelha e alimentos ultra processados
  • Evitar a utilização desnecessária e frequente de anti-inflamatórios
  • Manter uma hidratação adequada

 

Não existe evidência que justifique evitar sementes, frutos secos, milho ou pipocas apenas por ter divertículos. Estes alimentos não demonstraram aumentar o risco de diverticulite e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Bibliografia
Peery AF, Shaukat A, Strate LL. AGA Clinical Practice Update on Medical Management of Colonic Diverticulitis: Expert Review. *Gastroenterology*. 2021;160(3):906-911.e1.
National Institute for Health and Care Excellence. *Diverticular disease: diagnosis and management*. NICE Guideline NG147. London: NICE; 2019.
Qaseem A, Etxeandia-Ikobaltzeta I, Lin JS, et al. Diagnosis and Management of Acute Left-Sided Colonic Diverticulitis: A Clinical Guideline from the American College of Physicians. *Annals of Internal Medicine*. 2022;175(3):399-415.
National Institute for Health and Care Excellence. *Diverticular disease: diagnosis and management*. NICE Guideline NG147. London: NICE; 2019.