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Incontinência Urinária de Urgência

publicado em 26 Mai. 2026

É responsável por cerca de 22% das formas de incontinências urinárias na mulher.
 
A mulher perde urina, involuntariamente, porque sente uma vontade incontrolável de urinar. As perdas variam entre algumas gotas até ao esvaziamento vesical total. Este é um tipo de incontinência que traz um grande prejuízo para a qualidade de vida. Nas formas graves a mulher chega a urinar várias vezes por hora, de dia e de noite, com desintegração total da sua vida pessoal, social e profissional.

Causas de incontinência urinária de urgência

Na maior parte dos casos não se consegue descobrir o motivo para a urgência urinária e aí diz-se que é idiopática. No entanto, muitas vezes, está  associada a doenças cerebrovasculares ou medulares, como a doença de Parkinson, o AVC, traumatizados cerebromedulares, neuropatias periféricas, etc. Nessas situações diz-se que a causa é neurogénica.

 

O diagnóstico assenta na sintomatologia clínica e exame físico, associados à exclusão de doença orgânica através de exames auxiliares de diagnóstico. As queixas principais são sempre sintomas irritativos do tracto urinário inferior, como a frequência urinária (diurna e nocturna), associados a perdas involuntárias de urina, precedidas de urgência. Tipicamente, a urgência e/ou perda é despoletada por actos como lavar as mãos, ouvir água a correr ou colocar a chave na fechadura da porta de casa. Noutras ocasiões as perdas ocorrem quando a bexiga atinge determinado volume.

 

Os exames auxiliares de diagnóstico são mandatórios. Inúmeras doenças cursam com sintomatologia semelhante. É necessário excluir a infecção do tracto urinário, litíase ureteral e/ou vesical e as neoplasias da bexiga. Os exames aconselhados são a ecografia renovesical, a urina tipo II e a urocultura.

 

Estes exames, numa incontinência urinária de urgência não têm qualquer alteração de relevo.  Por fim, o exame que confirma o diagnóstico é o estudo urodinâmico. Este permite-nos diagnosticar situações como a bexiga de sensibilidade aumentada (a denominada urgência sensorial), a presença de contrações não inibidas (a denominada bexiga hiperactiva ou instável) ou incontinência urinária com esforços associada.

Tratamentos

Tratamento conservador:

Assenta em técnicas de reeducação da bexiga, associada a terapia farmacológica. Há várias opções de medicamentos com boa eficácia mas perfis de segurança bastante distintos. O escolha do plano de tratamento não pode pois ser igual para todos. Fazem igualmente parte do tratamento conservador, os exercícios do pavimento pélvico e a electroestimulação vaginal, ambos, preferencialmente, monitorizados por um fisiatra ou fisioterapeuta.

 

Tratamento cirúrgico:

É utilizado nas formas mais graves. A injecção de toxina botulínica (botox) no músculo da bexiga, para os doente que não respondem à restante medicação oral, é uma opção simples, minimamente invasiva e com óptimos resultados.  Em casos particulares, a neuromodulação sagrada pode ser uma solução. Consiste na implantação dum eléctrodo permanente (“pacemaker”), ao nível da coluna ( S2-S4).
 
Resumidamente, há várias opções e estratégias de tratamento da incontinência urinária de urgência.
 
Personalizando o tratamento de doente a doente podemos ter excelentes resultados com franca melhoria da qualidade de vida