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Qual é a melhor dieta para perder peso?

publicado em 28 Ago. 2021

Em 2016, 34,8% da população portuguesa eram pré-obesos e 22,3% enquadravam-se num quadro de obesidade. Na população infantil, embora os valores de obesidade e excesso de peso estejam aparentemente em decréscimo desde 2008, em 2019, 29,6% das crianças portuguesas apresentavam excesso de peso e 12% tinham obesidade. Existe efetivamente uma necessidade de promover estilos de vida saudáveis, nos quais a alimentação tem um papel primordial, tanto no controlo de peso corporal como na prevenção de diversas patologias: como hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes, cancro e doenças cardiovasculares.

 

Uma dieta saudável promove o controlo da ingestão energética diária, limita gorduras saturadas e trans, promove o consumo regular e adequado de frutas e hortícolas e limita o consumo de sal e açúcar. No entanto, nem sempre uma dieta saudável é promotora de perda de peso, uma vez que para que o emagrecimento ocorra é imprescindível que haja défice energético, ou seja, é preciso despender mais quilocalorias do que aquelas que são consumidas.

 

É por isso fundamental que haja um planeamento das porções dos alimentos consumidos e uma distribuição adequada de macronutrientes (hidratos de carbono, lípidos e proteínas). Além disso, é fulcral atender a critérios como os objetivos da pessoa, preferências alimentares, hábitos de vida, horários, dinâmica familiar, entre outros aspetos.

 

Assim sendo, torna-se evidente que a melhor dieta para emagrecer é aquela à qual o indivíduo consegue aderir. A título de exemplo, o jejum intermitente, amplamente difundido nos últimos tempos como uma estratégia eficaz de perda de peso, pode efetivamente sê-lo, se cumprir o critério de restrição energética. No entanto, a mesma restrição energética pode ser conseguida com uma dieta alimentar, composta por várias refeições ao longo do dia, o que levará igualmente à perda de peso. É na gestão desta dinâmica, em consulta, que é possível corresponder ao conforto e ao objetivo do indivíduo simultaneamente. Na prática, ninguém precisa de adotar uma dieta da qual não gosta!

 

Existe de facto uma diversidade de ferramentas nas Ciências da Nutrição que permite aos nutricionistas tornar a “dieta” num instrumento que pode ser tocado de várias formas. É por isso que na consulta de nutrição a anamnese é o primeiro passo, momento no qual a pessoa descreve os aspetos pessoais, de saúde, hábitos alimentares, elementos a partir dos quais é planeada uma estrutura alimentar individualizada. A informação referente à nutrição e sobretudo numa perspetiva de emagrecimento é muito vasta e poderá causar alguma dificuldade em compreender qual a melhor abordagem para emagrecer.

 

É neste sentido que é necessário desmistificar a ideia de uma dieta única e universal para perder peso.