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Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica

publicado em 21 Jun. 2026

A 21 de junho, assinala-se o Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma data que visa sensibilizar para uma doença neurológica rara, progressiva e incapacitante, que afeta cerca de 1000 pessoas, em Portugal.

 

A ELA caracteriza-se pela degeneração dos neurónios motores no cérebro, tronco cerebral e medula espinhal, levando à perda da capacidade de controlar os músculos voluntários, com consequente atrofia muscular, dependência funcional progressiva e, inevitavelmente, morte.

 

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), em conjunto com a APELA – Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, tem desempenhado um papel fundamental na divulgação da doença, na promoção da investigação, registo nacional de doentes, e no apoio a doentes e cuidadores.

Sinais e Sintomas

Início nos membros (75–80% dos casos):

 

  • Membros inferiores: tropeços, quedas, marcha arrastada (pé caído), perda de força e resistência.
  • Membros superiores: perda de destreza dos dedos, caimbras, fraqueza, atrofia muscular, mão caída.

 

Início bulbar (20–25% dos casos):

  • Fala arrastada, rouquidão, engasgamento com líquidos ou alimentos.

 

Funções Preservadas

 

  • Movimento dos olhos
  • Controle da bexiga e intestino (na maioria dos casos)
  • Sensibilidade geralmente intacta

 

Com o avanço da doença, surgem sintomas como atrofia muscular, espasticidade, dificuldade em engolir alimentos, dificuldade em articular palavras, produção excessiva de saliva e dificuldade respiratória progressiva.

 

A progressão é tipicamente rápida e fatal, com sobrevida média entre 3 a 5 anos, embora cerca de 10% dos doentes possam viver mais de 10 anos.

 

Além das manifestações motoras, até 50% dos doentes podem apresentar alterações cognitivas e comportamentais, incluindo demência frontotemporal.

Diagnóstico e Abordagem Multidisciplinar

O diagnóstico da ELA é clínico, baseado em sinais de envolvimento de neurónios motores superiores e inferiores, associados à exclusão de outras patologias. A confirmação pode incluir eletromiografia e, em casos com suspeita familiar (10% dos casos), testes genéticos (os genes SOD1, C9orf72, FUS e TARDBP estão frequentemente envolvidos).

 

Após o diagnóstico, o doente deve ser encaminhado para equipas multidisciplinares. O objetivo é manter a funcionalidade, controlar sintomas, e oferecer suporte emocional e social ao doente e à sua família.

Papel da Pneumologia e da Ventilação Domiciliária

A falência respiratória constitui a principal causa de morte nos doentes com ELA, tornando a pneumologia uma especialidade essencial na abordagem multidisciplinar do doente.

 

Assim, a gestão ventilatória, a otimização da tosse, a prevenção de infecções e o suporte domiciliário respiratório são centrais! A ventilação não invasiva pode melhorar significativamente a qualidade de vida e prolongar a sobrevida. Em casos específicos, a ventilação invasiva (por traqueostomia) deve ser considerada.

 

Importante frisar que uma polissonografia precoce pode identificar falhas respiratórias, durante o sono, na fase inicial da doença!

Tratamentos Atuais

Atualmente, não existe cura para a ELA, e , apenas, alguns fármacos aprovados demonstraram benefícios modestos:

 

  • Riluzol: disponível há mais de 20 anos, prolonga a sobrevida em 2-3 meses, em doentes sem suporte respiratório.
  • Tofersen: aprovado para doentes com mutação SOD1. (mutação rara em Portugal)
  • Edaravona: aprovado nos EUA, com benefício funcional em subgrupos específicos. Ainda não aprovado na Europa.

 

A investigação continua ativa, com diversos ensaios clínicos em curso.

Desafios e Caminhos Futuros

Apesar da gravidade da ELA, a falta de conhecimento generalizado entre a população e alguns profissionais de saúde ainda contribui para atrasos no diagnóstico e no início do acompanhamento adequado.

 

Campanhas como o famoso “ice bucket challenge” contribuíram para a notoriedade da doença, mas ainda há muito por fazer.

 

O envolvimento da sociedade civil é crucial para assegurar financiamento à investigação, garantir o acesso equitativo a cuidados, promover a literacia em saúde e apoiar redes de cuidadores.