A queda de cabelo é uma queixa muito frequente e pode ser multifatorial. Por isso, antes de falar em procedimentos, é necessário definir o tipo de queda de cabelo e a causa. O que funciona bem para uma pessoa pode ter pouco efeito noutra, porque o mecanismo por trás pode ser hormonal, inflamatório, pós-stress, carencial, autoimune, entre outros.
Dentro das opções disponíveis, o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) tem ganho destaque por ser um procedimento autólogo (feito com o sangue do próprio doente), minimamente invasivo e com um perfil de segurança globalmente favorável.
Qual é o tipo de queda de cabelo?
Na prática clínica, é útil separar pelo menos estes cenários:
- Alopecia androgenética (AGA)
A “calvície” masculina/feminina, com afinamento progressivo dos fios e rarefação em zonas típicas. É, de forma geral, onde o PRP tem melhor suporte científico.
- Eflúvio telógeno
Queda difusa (muito cabelo a cair), frequentemente após stress, febre/doença, pós-parto, défices nutricionais ou alterações hormonais. Aqui, o principal é identificar e corrigir a causa; PRP pode ser considerado em casos selecionados, mas não substitui investigação clínica.
- Alopecia areata
Queda em placas, de base autoimune. Há estudos com PRP, mas os resultados são variáveis e, em revisões de ensaios randomizados, o PRP não se mostrou claramente superior a terapias intralesionais padrão em alguns desfechos (ex.: comparações com corticosteroide).
O que é PRP?
O PRP é um concentrado de plasma com maior proporção de plaquetas, obtido por centrifugação de sangue do próprio doente e aplicado no couro cabeludo por microinjeções. As plaquetas libertam mediadores associados à reparação tecidular, e a hipótese é que isso possa favorecer o microambiente do folículo piloso, ajudando sobretudo em quadros de miniaturização do folículo, como na alopecia androgenética.
Como é o tratamento?
Apesar de existirem variações, o fluxo é geralmente:
- Avaliação e diagnóstico (incluindo história clínica, padrão de queda, tricoscopia quando disponível e/ou análises se indicado)
- Colheita de sangue e preparação do PRP
- Aplicação no couro cabeludo com microinjeções.
Quantas sessões são necessárias?
Não existe um “único” esquema universal, mas é comum trabalhar com:
- fase inicial (várias sessões ao longo de alguns meses)
- manutenção espaçada, conforme resposta
O mais correto é encarar PRP como tratamento progressivo, que precisa de reavaliação objetiva (fotos padronizadas, tricoscopia/contagem quando possível).
Quando aparecem os resultados?
O cabelo tem ciclos de crescimento, então os ganhos tendem a ser graduais. Estudos costumam avaliar densidade/contagem e parâmetros clínicos ao longo de semanas a meses, e o benefício é mais consistente ao longo do tempo, não imediato.
Pós-procedimento: o que é normal e que cuidados seguir?
Podem acontecer:
- sensibilidade local
- vermelhidão
- pequenos hematomas
- edema ligeiro transitório
Cuidados gerais:
- evitar fricção intensa do couro cabeludo no próprio dia
- seguir as orientações sobre lavagem/ativos tópicos
- reportar dor forte, secreção, febre ou sinais sugestivos de infeção
Conclusão
O PRP é uma opção interessante e muito utilizada para queda de cabelo, sobretudo como adjuvante na alopecia androgenética, com evidência a sugerir melhoria de densidade capilar em parte dos doentes, mas com resultados dependentes de diagnóstico correto, qualidade do protocolo e acompanhamento. Para outros tipos de queda (como alopecia areata), pode ter papel em casos selecionados, sempre com expectativas realistas e plano individualizado.
Bibliografia
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- Platelet-Rich Plasma in Alopecia Areata—A Steroid-Free Treatment Modality: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials. Biomedicines. 2022.